
Micahel Moore com Larry King.
Seu filme “Capitalismo: Uma História de Amor” estreiou ontem em Nova York e Los Angeles, e eis algumas respostas dadas a Larry King, da CNN:
LK: Esse filme é o ápice de sua carreira?
MM: Não. Comecei há 20 anos mostrando que a General Motors tomava decisões contrárias a ela e ao povo americano. A questão se resume a “seguir a pista do dinheiro”. Dinheiro é poder. E neste momento, Larry, um por cento da população tem mais dinheiro do que os 95% que estão no fundo.
LK: Você faz parte desse um por cento?
MM: Acho que não, mas mesmo se fizesse, tenho a responsabilidade moral com os restantes de fazer documentários. E isso eu faço bem.
LK: Mas na prática…
MM: Pelo menos tento… que o bolo seja dividido por todos e não apenas por alguns, enquanto a maioria pega as migalhas.
LK: Você afirma que o capitalismo é um fracasso?
MM: Sim. O capitalismo é um fracasso. Eu nem precisaria dizer isso diante do que aconteceu no ano passado. Cairam por terra o mercado livre, a empresa livre e a competição. Eles perderam o nosso dinheiro e sairam correndo por ajuda federal, foram pedir mais dinheiro nosso, foram buscar o que se busca no socialismo. E eu que pensava que capitalismo era nade-ou-afogue-se. Que aqueles que se davam bem subiam, e aqueles que investiam mal, ou não administravam bem o seu negócio, iam para o fundo. Wall Street fez todos os tipos de apostas, e apostas em cima de apostas, e depois correu por ajuda.
LK: Você começou a filmar antes da queda de Lehman Brothers.
MM: Sim.
LK: A queda do mercado de ações fez você mudar a direção do filme?
MM: O sistema é intrinsicamente corrupto. Não há democracia na nossa economia. Aquele um por cento domina Wall Street e controla a economia.
LK: Eles não querem ver a economia bem? Eles não querem que as pessoas…
MM: Querem.
LK: Eles não querem que as pessoas tenham dinheiro para comprar os produtos? Não fez sentido que eles queiram as pessoas desempregadas.
MM: Por incrível que pareça, sim.
LK: Por que?
MM: Vou lhe contar o porquê. Porque a folha de pagamento é a maior despesa. Como você nota nos últimos meses, o desemprego aumenta e a bolsa de valores aumenta. Wall Street gosta.
LK: Você quer dizer que o investidor é mais importante que o funcionário?
MM: Sim, o investidor – e eles querem investidores de curto-prazo, lucro rápido e agora. Mas a longo-prazo, veja o que aconteceu. Há 20 anos eu estava falando da General Motors.
LK: Eu lembro.
MM: E naquele ano a General Motors teve um lucro de 4 bilhões. E eles haviam mandado embora 30 mil funcionários. Agora, por que você manda toda essa gente embora ao mesmo tempo que obtém lucros de 4 bilhões? Isso é uma loucura. Mas eles pensaram apenas em aumentar a lucratividade. Talvez levar as fábricas para o México e passar para um lucro de 4,2 bilhões. E eles não param de pensar nisso. Mandando embora essas pessoas, Larry, esses se livram das mesmas pessoas que compram os carros.
Uma hora e meia após a abertura do pregão de Wall Street, as ações do Citigroup estavam sendo negociadas a US$6,11, ou seja, 61,57% acima do fechamento de sexta-feira.


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