Quem faz esta pergunta é Steve Clemons em artigo no CNN.com.
As escolhas podem ser arriscadas, mas também podem ser brilhantes. Vamos à argumentação de Clemons:
Se a presença de Hillary Clinton no governo se constituir em fator de brigas e desentendimentos, será porque Obama está confuso, iludido, auto-destrutivo ou deixou a presidência lhe subir à cabeça.
Caso contrário, a escolha é brilhante, brilhante, brilhante.
O mesmo se aplica à escolha do encrenqueiro Rahm Emanuel, da manutenção do desleal Joe Lieberman, e da possivel continuação do bushista Robert Gates no Ministério da Defesa.
Mas o maior dilema é Hillary Clinton.
Obama poderá estar imitando o que George Bush fez com Colin Powell, seu principal rival dentro do Partido Republicano. Neutralizou-o fazendo-o Secretário de Estado, ao mesmo tempo que utilizava sua sagacidade militar.
Hillary ficaria satisfeita com o cargo, teria um lugar na História, e seria neutralizada como rival caso as eleições de 2010 não dêm bons resultados para os democratas.
Genial. Obama estaria também trazendo para seu governo alguém que se mostrou favorável ao Presidente Bush boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing por violação dos direitos humanos, alguém que apoiou a invasão do Iraque, alguém que acredita mais no porrete do que na diplomacia, alguém que já mostrou que sacrificiaria interesses árabes a favor de Israel.
Obama, ao contrário, declarou que se encontraria com os líderes mundiais mais encrenqueiros, que queria uma mudança de estratégia, e que queria evitar o “tipo errado de experiência“, implicitamente colocando os Clintons no passado e despreparados para o futuro. David Axelrod, estrategista de Obama, chegou a ligar Hillary Clinton à morte de Benazir Bhutto por não se opor a beligerância de Bush.
Apesar de tudo, pode ser um golpe de mestre de Obama, do tipo “quem não arrisca não petisca“.
À esta altura, Hillary certamente já percebeu que a nova estrela do universo político americano não deverá ter seu governo posto em cheque, mesmo com uma derrota em 2010. E mais: morrer como senadora de Nova York não é exatamente o seu sonho.
Outras vantagens: Hillary é cê-dê-efe e inteligente. Entende de micro-crédito, fez campanha e perdeu para conseguir um plano de saúde para todos, mas refez o plano e relançou-o nas primárias. Ela lança idéias, coloca-as em cheque e as relança. Ela é tenaz. Se Obama quer uma mudança de estratégia no Irã, Israel-Palestina, Síria, Cuba, Rússia e noutros desafios, ela é a pessoa certa.
Ao contrário de Bush, que cedeu a política externa para Cheney, Obama pretende ser o seu próprio Secretário de Estado, focado em redesenhar o contrato social global dos Estados Unidos. Será uma revolução, e para isso Hillary Clinton poderá ser a companheira ideal.
Aqui todo o artigo de Steve Clemons.

"Vou ficar de olho".
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