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Krugman: “Obama tem que botar paixão e raiva na defesa de seu plano de saúde”:

16 ago

Barack Obama estava na fase de pretender ser o candidato democrata à presidência quando declarou: “Estou nesta disputa porque não quero passar a campanha com a briga dos Estados Unidos vermelho e dos Estados Unidos azul: eu quero ser o líder dos Estados Unidos da América”.

“Está conseguindo?”, pergunta Paul Krugman, em artigo no New York Times.

“Não”, ele mesmo responde, “porque, como no tempo de Bill Clinton, a direita enraivecida aproveita qualquer oportunidade ou chavão gritado pelo complexo direitista das rádios, para tentar tirar a legitimidade de sua presidência”.

Os ataques ao presidente não têm nada a ver com sua agenda. São vazios. 

Sarah Palin criou os “painéis da morte”, para atacar a reforma da saúde, e deu uma palavra de ordem para os direitistas cristãos acusarem o plano de ser pela eutanásia. Mas ela se esquece, assim como Newt Gingrich, que eles eram a favor de “diretivas avançadas”, no caso de uma pessoa incapacitada ou em coma. Até figuras republicanas consideradas moderadas aderiram à mentira.

Um deles é o Sen. Chuck Grassley, que disse que o tumor do Sen. Kennedy não seria tratado convenientemente sob o plano de Obama, “traçado para gastar dinheiro com pesssoas que possam mais contribuir para a economia”. 

A situação parece pior do que quando Bill Clinton tentou fazer a mesma reforma, porque agora o Partido Republicana não tem mais liderança, a não ser Rush Limbaugh.

Resta saber como o Pres. Obama lidará com a morte de seu sonho de bipartidarismo. Por enquanto, sua administração está paralisada pelo choque.

Acho que nos últimos dias o presidente melhorou em suas explicações sobre seu plano.

Mas ele precisa adicionar paixão e raiva ao seu discurso.

Fará? Temos que esperar para ver.

Eurofobia americana só aumenta.

13 ago

“O que há de tão errado com a Europa?”, pergunta Michael Freedman, neste artigo na Newsweek.

Vejam só: A União Européia tem uma taxa de mortalidade menor dos que os Estados Unidos, com a França entre as menores. Um menino que nasça amanhã nos Estados Unidos terá uma expectativa de vida de 78 anos, contra 79 na Europa e 80 se tiver a sorte de nascer na França.

O europeu terá a chance de levar uma vida feliz, sua educação do jardim de infância à universidade será quase de graça, trabalhará numa das empresas multinacionais da socializada Europa(BP, Royal Dutch Shell, Total, Nokia ou Ericksson) ou 10 das empresas líderes mundiais em vendas.

Terá mais férias e mais tempo livre para tratar de sua saúde e do filho recém-nascido. 

A Europa tem menos doenças psiquiátricas do que os Estados Unidos, e, estatisticamente, dão mais chance de tratamento aos que adoecem. O aposentado tem uma pensão garantida pelo estado.

E desde que foi para a Casa Branca, Barack Obama  tem sido acusado de querer europeizar os Estados Unidos.

Para Bill O´Reilly, a Europa está “cheia de covardes”.

Para Sean Hannity, o pacote de recuperação da economia de Obama é “A Lei Socialista Européia de 2009″.

E a reforma do sistema de seguro saúde de Obama é “a estatização européia”, para Rush Limbaugh.

Mas isso é antigo, segundo o articulista, pricipalmente contra a França. Historicamente, segundo o estudioso francês Justin Vaisse, os americanos consideram os franceses “imorais, venais, antisemitas, arrogantes, insignificantes, e saudosistas”.

A eurofobia está mais forte ainda em nossos dias. Tudo o que Obama diz inspira um direitista a acusá-lo de europeizado.

- “O presidente pediu um hamburger com mostarda Dijon!”.

A apresentadora de rádio Laura Ingraham perguntou no ar: “Que tipo de homem pede um cheeseburger sem ketchup mas com mostarda Dijon?”

Rush Limbaugh anda comparando Obama a Adolf Hitler. Glenn Beck,da Fox News, passou filmes da Wermacht para falar do seguro saúde de Obama.

E, hoje, os europeus são nossos maiores aliados!

Que tipo de seguro saúde fará os americanos mais fortes, mais resistentes, mais prósperos? Seria bom observarmos como fazem os nossos alidos.

Charles Murray ao receber um prêmio do conservador American Enterprise Institute declarou que “a possibilidade de que danos irreversíveis sejam feitos ao projeto americano nos próximos anos, é real; o modelo europeu é fundamentalmente errado porque, apesar do sucesso material, não é adequado para que seres humanos floresçam e progridam – não conduz à felicidade aristoteliana”.

Pode até ser, mas a demagogia de muitos de seus companheiros de direita arrisca ignorar o que a Europa tem a oferecer, apenas para cederem a um ideológico je ne sais quoi.

Colin Powell: “Policial e professor agiram como crianças”. E sobre Limbaugh: “O Partido tem medo dele”.

28 jul

O ex-Secretário de Estado Colin Powell culpou esta noite no programa de Larry King a imaturidade do Prof. Henry Louis Gates Jr. e do Sarg. James Crowley pelo episódio que culminou com a prisão do professor.

Powell disse que, por ser negro, já passou por situação semelhante, mas que o professor e o policial poderiam ter evitado a escalada do episódio se tivessem sido mais maduros.

Sobre Rush Limbaugh, disse que “defendo seu direito de falar mal de mim, e certamente nunca deixei de lhe dar uma resposta à altura. Mas o resto do partido o teme, e aqueles que o enfrentaram, voltaram atrás 24 horas depois”,

Janet Napolitano não estava “louca”.

11 jun

Quando o Departamento de Segurança Interna americano divulgou num relatório em janeiro que estava aumentando o ativismo dos grupos radicais de direita dentro dos Estados Unidos, Janet Napolitano foi acusada de “louca” pela Fox News e por Rush Limbaugh. Alguns comentaristas deram gargalhadas sonoras ao dar a notícia.

Ontem, após o ataque ao Museu do Holocausto na capital americana, o comentarista Shep Smith da Fox News reconheceu: “Bem que ela nos avisou”.

James Von Brunn é um supremacista branco, antissemita, que odeia o governo federal americano, e vem contestando há meses pela Internet que Barack Obama não é americano de nascença.

Essa questão da certidão de nascimento de Obama, atravessou a eleição e a posse. A mídia conservadora americana continua a insistir no assunto. Rush Limbaugh disse há uma semana que Obama é igual a Deus, que também não tem certidão de nascimento.

Outro comentarista conservador, Lester Kinsolving, perguntou ao secretário de imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs, “por que o presidente não responde a um abaixo-assinado de 400 mil pessoas para que ele divulgue a sua certidão de nascimento, inclusive com o nome do hospital em que nasceu?”

Gibbs respondeu que a certidão está na Internet, e que espera que esta questão perca sua importância até o quarto ano de mandato de Obama.

A questão em si não vai levar a nada. O que ela e outras questões estúpidas levantadas pela direita americana levam é a que pessoas com tendências extremistas fiquem exarcebadas e partam para a ação criminosa, como fez James Von Brunn.

Aqui vai a certidão de nascimento de Barack Hussein Obama II.

Nova York em calma.

10 jun

Ahmed Khalfan Ghailani chegou ontem a Nova York.

A cidade não mudou em nada, nem foi acionado alarme vermelho de perigo de atentado iminente, como gostariam Dick Cheney, Newt Gingrich e Rush Limbaugh.

Assim começa o fim de Guantánamo.

Ahmed será julgado em território americano por participar nas explosões das embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia, em 1998, quando morreram 224 pessoas. Se condenado, cumprirá pena em prisão dentro do território americano.

Ontem mesmo, diante do juiz, ele se declarou inocente.

Não está mais aqui quem falou.

8 nov

A retórica usada pelos adversários de Obama durante a campanha desapareceu.

Há pouco tempo a Deputada Michele Bachmann falou na TV que “estou muito preocupada com as convicções anti-americanas de Obama“.

A republicana pelo Minnesota quase foi derrotada por causa desses comentários, e depois de terça-feira disse que “é muito gratificante que um afro-americano tenha vencido este ano. Sua vitória é um tremendo sinal”.

Sarah Palin também mudou seu discurso, ao responder sobre as acusações anônimas que lhe foram feitas por assessores de McCain: “Barack Obama foi eleito presidente, Deixe qua a gente, ou melhor, deixe que ele saboreie este momento,  e vamos deixar para trás mesquinharias internas que podem erodir a importância deste momento. E Deus abençoe Barack Obama e sua linda famíla.”

É tradição americana atacar durante a campanha e elogiar depois da eleição. Mas esse ano, por causa dos ataques virulentos a Barack Obama está sendo interessante ver as mudanças nos discursos.

A rasgação de seda começou com o discurso de concessão de McCain, e o de Joe Biden dizendo que ainda era amigo do candidato republicano.

Exceções? Rush Limbaugh. O radialista continua sua retórica anti-Obama. Laura Ingraham, da Fox News, embora tivesse reconhecido que “Obama fez história, sem dúvidas”, disse depois que “este sujeito ainda é um mistério, portanto vamos ficar de olho”.

Mais, no New York Times.

João Cláudio, conservadores e liberais têm que dialogar.

24 set

Prezado João Cláudio,

Muitos de seus colegas leitores de Leia Junto comentaram a sua mensagem. Todos apreciamos trocar idéias.

 

O diálogo já foi optativo, mas hoje o diálogo vai ditar a sobrevivência da raça humana. Temos um problema enorme, para nós e para as próximas gerações resolvermos. O problema está sendo colocado diante de nossos olhos pela natureza. É o aquecimento global que se mostra através do degelo, elevamento do nível dos oceanos, tempestades cada vez mais violentas, falta de água, fome, desertificação… Sem diálogo, esse problema vai se agravar e levar a raça humana ao fim. Portanto, a criação de um ambiente de paz entre as nações é absolutamente necessário. Mais do que em qualquer outra época da história.

 O presidente republicano dessa nação vem durante oito anos tomando iniciativas de guerra. Onde existe paz, ele leva a guerra. A Rússia quer ser respeitada, e ele promove junto com a Geórgia o desrespeito à Rússia. Ele foi eleito para governar para o povo, mas quando o povo durante os três últimos anos rejeitou suas iniciativas de guerra através de pesquisas de opinião, ele nem mesmo teve a gentiliza de se referir a essas pesquisas. Você acha que, atualmente, faz alguma diferença Abraham Lincoln ter sido republicano? O Presidente Bush é tudo que Abraham Lincoln rejeitava. Aconselho a você e a todos os meus amigos que se recordem dos princípios que nortearam a vida daquele verdadeiro estadista. John McCain não quer nem mesmo ser visto junto do Presidente Bush.

 

Dentro desse quadro, pouco importa quem foi democrata ou republicano. O que importa é quem nos dias de hoje está tomando iniciativas para o bem do povo americano e do mundo, já que vivemos globalizados na prática.

 

Você acha que o princípio conservador de que o mercado deve ser deixado totalmente livre e tomar as suas próprias decisões funciona? Acha? Acho que poderia achar até há duas semanas. Está vendo a maior crise econômica desde 1929 em que o Presidente Bush com seu conservadorismo lançou esse país? Não quero dizer aqui que todos os princípios conservadores são ruins, e que os liberais são todos bons. Vamos trocar idéias.

 

Eu leio o The New York Times, mas também ouço Rush Limbaugh e assisto à Fox News. Aconselho-o a ler um pouquinho o The New York Times também. Ouça a opinião da Europa, da Ásia e da América Latina sobre o que se espera do país militarmente mais poderoso do mundo. O mundo quer Obama porque o mundo não quer explodir. Porque ainda estão frescas em nossas memórias as imagens de Nagasaki e Hiroshima.

 

A KKK foi fundada pelos democratas? Que diferença faz isso em nossos dias? O importante é que ela está fora da lei, e seus princípios tornam-se a cada dia mais coisa do passado. Basta ler o que saiu em Leia Junto sobre a Universidade de Mississippi. O fato da KKK ter sido fundada pelos democratas dá aos republicanos o direito de adotar alguns de seus conceitos odioentos?

 

Lamento que sua esposa tenha alguns problemas com a venda de seguros para negros. Eu moro em Miami, onde há gente de todas as raças e cor de pele. Eu e minha família temos histórias ruins e boas com brancos, negros, amarelos… Aprendi que um sorriso e olhos nos olhos quebram muitas barreiras. Há outra prática de negócio que também aconselho: a gente perde aqui e ganha lá na frente. Certamente os clientes brasileiros dão preferência à sua esposa.

 

A raça negra é tão boa e tão ruim quanto qualquer outra raça. Não se esqueça que eles foram arrancados de suas terras, postos contra a vontade em navios nojentos, puxados pelo nariz como porcos, suas mulheres violentadas, e postos para trabalhar de graça para os outros. Eles fizeram muito mais por esse país do que eu e você, imigrantes recentes que viemos para aqui por livre e espontânea vontade.

 

Oitenta por cento de seus filhos são de mães solterias? E a Bristol, filha da Sarah Palin? Ela também engravidou solteira. Muita gente no Alasca duvida até que o rapaz vá casar com ela. Lembra-se daquele que tinha uma trave no olho e ficava atacando o vizinho que tinha uma palha no mesmo lugar?

 

O melhor que fazemos é procurar soluções e esquecer o ataque incessante.

 

Parabenizo-o de novo pelo sucesso de um brasileiro nos Estados Unidos. Convoco-o a continuarmos nosso debate em Leia Junto.

Um abraço,

Cesar Barroso

Esse é o barco que nos levará para o fundo ou nos salvará.

Esse é o barco que nos levará para o fundo ou nos salvará.

 

 

 

 

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