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Pedofilia entre judeus ultraortodoxos chega aos tribunais.

14 out

Já não é mais tabu processar criminalmente por pedofilia, em Nova York, judeus ultraortodoxos, segundo este artigo do New York Times.

Eles não sofriam processos por pedofilia, mas isso mudou com o Promotor-Geral Charles J. Hynes. Oito pessoas já estão presas e 18 esperam julgamento.

Havia proibição religiosa de acusação fora do grupo, inclusive sob ameaça de morte. Como precisava da aprovação do rabino, mas este nunca dava a permissão, e nos tribunais religiosos os acusados eram sempre absolvidos, as famílias decidiram recorrer à justiça comum.

Quarenta menores concordaram em testemunhar no tribunal. Alguns blogs, como FailedMessiah e The Unortodox Jew, têm encorajado as vítimas.

Os líderes religiosos estão começando a aceitar a situação, e Hynes tem feito reuniões com grupos ultraconservadores para encorajar as vítimas a se manifestarem. Há 180 mil judeus ultraconservadores em Nova York.

Para David Zwiebel, da Agudath Israel of America: “Há consenso nos últimos anos que muitos desses casos não podem ser decididos dentro da comunidade”. Mas ele acha que devem ser encontradas alternativas para prisão, de forma a não tirar de uma família o que lhe provê o pão, e para encontrar famílias boas que fiquem com as crianças retiradas de suas famílias.

Em 2000, o rabino Baruch Lanner, principal líder carismático da juventude yeshiva e que por mais de 20 anos foi acusado de abusos, foi objeto de uma reportagem reveladora na The Jewish Week que resultou numa pena de sete anos de prisão.

Há programas de rádio que incentivam as vítimas a fazerem acusações, como o de Dov Hikind, da rádio WMCA. Centenas de jovens fizeram acusações.

O pai de um menino de 6 anos que havia sido abusado pelo rabino Kolko foi a Jerusalém pedir permissão a um rabino de alto prestígio para ir à polícia.

A resposta foi: “Vá, porque você não estará cometendo nenhum pecado.”

Mais Penn e moda das ruas.

12 out
  • Clique aqui para ver um multimedia com fotos de Irving Penn tiradas de trabalhadores em Paris e Londres, na década de 50.
  • Aqui as idiossincrasias da moda nas ruas de Nova York, um multimedia mandado pela Beth. Os ternos pintados e os bigodes das mulheres são interessantes.

Jovem maestro brasileiro estréia em Nova York.

21 ago

O paulistano Frederico Gouveia estudou e viveu no Brasil e em Miami.

Nesses três vídeos do YouTube, sua noite de estréia em Nova York:

 

Frederico Gouveia

Frederico Gouveia

Um psiquiatra infantil fala sobre a maconha e outras drogas.

22 jul

Muita gente no Rio de Janeiro, e no Brasil, se lembra do Dr. Christian Gauderer, pediatra e psiquiatra infantil, que durante anos era consultado ao vivo pela TV no programa da Edna Savaget.

O Christian, meu amigo de longos anos, tinha consultório na Av. N. S. de Copacabana e era(ainda é) defensor de muitas causas importantes, dentre elas o direito dos pacientes, o que lhe valeu brigas homéricas com os conselhos de medicina ávidos de preservarem os privilégios daqueles que praticam  ”o sagrado exercício da medicina”.

Um de seus livros é justamente sobre os direitos dos pacientes. 

Há dez anos, o Christian se transferiu para Nova York, onde continua a exercer a pediatria e a psiquiatria infantil. 

Ontem à noite tive o prazer de estar com ele ao telefone por quase uma hora, e pedi para que falasse sobre a maconha e o movimento que há para a sua discriminalização. 

Com a palavra uma pessoa que eu considero autoridade inconteste no conhecimento do corpo e mente da criança, e também dos adultos:

“Cesar, acho que aqui nos Estados Unidos gasta-se dinheiro público em excesso com os usuários de drogas e no combate ao tráfico. Um em cada cinco homens têm câncer de próstata, e eu acho que parte desse dinheiro utilizado com a droga seria muito melhor gasto na pesquisa desta doença. Não entendo porque uma pessoa que infringe a lei – porque o uso de drogas não prescritas é ilegal – é recebido nos hospitais com direito a tratamento médico de primeira qualidade, sai sem pagar a conta, e a polícia não é chamada para lavrar um auto. Saiu-se do extremo de considerar o viciado como uma pessoa de vontade fraca, para considerá-lo apenas como um problema médico. 

Por outro lado, eu me pergunto a razão do usuário de droga ter que ser autuado quando o sujeito alcoolizado faz estragos no trânsito iguais ou piores do que um drogado e nada lhe acontece. Ambos utilizam o dinheiro que pago de impostos para seu tratamento, mas um apenas leva a pecha de fora-da-lei. 

Em vista disso, sou a favor da discriminalização da maconha e de todas as drogas. Dê-se liberdade e cobre-se responsabilidade dos usuários. Fez o que não deve em vista de estar sob a influência de droga, pague pelo que fez. Seja monetariamente ou passando tempo na cadeia. Acho o exemplo holandês bom de ser seguido. 

A liberdade para plantar, vender e utilizar maconha tem várias vantagens. Uma delas seria acabar com os cartéis e todos os crimes que são cometidos por causa da proibição das drogas. Dê-se inclusive liberdade para se plantar maconha em casa. Há vários livros ensinando como fazer. Acho que não apenas a maconha, mas todas as drogas devem ser liberadas. Quer se matar de tanta cocaína, como fez Elis Regina? Mate-se. É um problema do indivíduo tomar suas próprias decisões. Meu colesterol é alto e eu não devo comer carne vermelha. Mas como. Problema meu. Acho o mesmo com relação às drogas. 

Quanto à questão da maconha de hoje ser dez vezes mais potente do que a maconha de antigamente, a liberalização dará a oportunidade aos fabricantes de fazerem cigarros de maconha com potências variadas. Não tem bebida alcoólica com gradações variadas de álcool? Não tem até cerveja sem álcool? Os fabricantes certamente saberão aumentar os seus lucros com a oferta diversificada. E fume quem quiser, como hoje bebe quem quiser. E aguente cada um com as consequências dos seus atos.”

Céu.

21 jul

Conheci hoje através da rádio NPR essa cantora brasileira que, disse a apresentadora, está fazendo sucesso nos Estados Unidos: Céu.

Nesse link, Céu canta algumas canções de sua turnê por Seattle, Los Angeles, San Francisco e Nova York.

Sotomayor nasceu no Bronx mas é portorriquenha.

13 jul

Num artigo de Angelo Falcón intitulado “Tão Americana como a Torta de Manga”, a futura membra da Corte Suprema é descrita como uma verdadeira portorriquenha.

Porto Rico faz parte dos Estados Unidos desde 1898, e a colônia novaiorquina é a maior de todas. Muito maior do que a de Miami, apesar da curta distância desta cidade. Há mais de quatro milhões de portorriquenhos vivendo nos Estados Unidos, 800 mil deles em Nova York.

Mas Porto Rico não tem status integral de estado. Os portorriquenhos que vivem nos Estados Unidos têm cidadania plena e votam, mas os portorriquenhos que vivem em Porto Rico não votam.

Recomendo a leitura completa do artigo de Angelo Falcón.

 

Los Pachecos. Família portorriquenha em Miami(CB).

Los Pachecos. Família portorriquenha em Miami(CB).

Dezessete prisioneiros de Guantánamo irão para Palau e para as Bermudas.

11 jun

Eles são todos muçulmanos chineses, da etnia uighers, que desde o governo Bush tinham se livrado da acusação de inimigos combatentes.

Ano passado, uma corte americana havia ordenado que eles fossem para Nova York viver com a comunidade de sua etnia, mas o governo Bush conseguiu evitar através de liminar.

Eles não podem voltar para a China, onde teme-se que sofrerão perseguição do governo.

Mais no MSNBC.

Nova York em calma.

10 jun

Ahmed Khalfan Ghailani chegou ontem a Nova York.

A cidade não mudou em nada, nem foi acionado alarme vermelho de perigo de atentado iminente, como gostariam Dick Cheney, Newt Gingrich e Rush Limbaugh.

Assim começa o fim de Guantánamo.

Ahmed será julgado em território americano por participar nas explosões das embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia, em 1998, quando morreram 224 pessoas. Se condenado, cumprirá pena em prisão dentro do território americano.

Ontem mesmo, diante do juiz, ele se declarou inocente.

Guaracy Rodrigues, in memoriam.

31 mai

Ontem à noite na telinha apareceu Sonia Braga, fazendo o papel de mamãe da policial Jennifer Lopez.

Que idade terá Sonia Braga, perguntamos Claudia e eu. Fui ao computador saber que ela vai fazer 59 anos em junho, e que nasceu em Maringá.

Sonia Braga me lembrou Guaracy Rodrigues. Há anos eu não me lembrava, pelo menos no meu consciente, do Guará. Minha tristeza foi total quando descobri que morreu em 21 de fevereiro de 2006.

Guará era o cinema brasileiro. Nada importava para ele além de cinema e quem gostava de cinema, seus amigos. Nasceu em 1941, em Belo Horizonte, no mesmo ano e cidade que Neville de Almeida, seu amigo e protetor durante toda a vida, no Rio, onde pasaram a maior parte de seus anos(como todos bons mineiros) e outros lugares do planeta. Foi roteirista, diretor, sonoplasta…  em dezenas de filmes. Mas foi principalmente um ator, diante das câmeras e até na vida real. O professor e autor de cinema Luiz Nazário (foi aqui neste seu link que descobri que morrera) o chamava de Groucho Marx dos trópicos. E era isso mesmo o que era.

Eu convivi um pouco com o Guará em Ipanema, na casa do José e da Berta, em 1968/9, levado pela Elizabeth Neffa, e depois em Londres, em 1970/1.  Um sujeito genial na sua maneira de ver a vida e de vivê-la. Acompanhei de longe, às vezes um pouco de perto, a feitura do “Jardim de Guerra” do Neville de Almeida, em 1969. Eu convivia um pouco com  a turma do cinema à noite, e durante o dia trabalhava no departamento de reservas da Panam.

Antes de partir de férias em agosto de 1969(fui e não voltei, ficando quase três anos na Europa), ganhei uma passagem de primeira classe, ida-e-volta, de Nova York para qualquer lugar dos Estados Unidos que eu escolhesse, dada pela American Airlines. O Guará me pediu que fosse a Chicago visitar uma moça com a qual ele se correspondia. Eu lhe disse que escrevesse para a moça e anunciasse que eu ia passar lá. Saí de Nova York apenas com um nome e o endereço. Paguei uma dinheirama de táxi e cheguei num subúrbio classe média, com quase ninguém na rua, no meio da tarde. Ela não estava e fiquei na rua durante algumas horas esperando. Quando chegou, ficou assustada com a minha presença, porque o Guará não havia avisado nada. Subi, tomei um suco, batemos um papo de dez minutos e ela arranjou um hotel ali perto para eu passar a noite. De manhã, voltei para Nova York. Minha vingança foi escrever de Londres que eu ficara amigo da secretária da Vanessa Redgrave, e ele foi para lá correndo, participar dos estertores da swinging London.

Quem pensa que a juventude de hoje é louca, precisava ter conhecido a nossa…

Guará nunca teve uma residência. Morou a vida toda na casa de amigos. Não sei se conseguiu terminar o seu livro “Memórias de um Hóspede”. Também nunca trabalhou na televisão: ““Espero morrer antes de fazer TV. Vai contra os meus princípios, apesar de não tê-los”.

Depois de Londres, caminhos diferentes pela vida, eu só sabia do Guará pelos jornais e revistas. E, agora, mais de três anos depois, fico sabendo de sua morte.

Olho no espelho e pergunto perplexo: “O que é isso? O que é tudo isso?”

Guaracy Rodrigues

Aqui uma homenagem do Geraldo Veloso ao Guará, no dia de sua morte.

O ressentimento sulista.

5 nov

Durante uma das crises do petróleo, ouvi frequentemente no Texas: “Deixem que Nova York morra de frio“. É também frequente se ouvir por lá: “Não conheço Nova York e espero nunca conhecer“.

Nova York não é apenas Nova York, mas a designação do norte que derrotou o sul na Guerra de Secessão em meados do século XIX, os ianques.

E o Texas é moderado no que diz respeito ao ressentimento que sobrou da luta do norte contra o sul. Nos estados do “sul profundo”, cultiva-se o racismo como uma memória de família. A toda hora os jargões racistas são jogados no ar. Brancos odeiam negros e negros, por sua vez, odeiam brancos.

Ali na Louisiana, Arkansas, Mississippi, Alabama, Tennessee, Geórgia, Carolina do Sul e Carolina do Norte, foram sentidos fortemente os efeitos daquela guerra. A imposição da vontade do vencedor, incluiu a libertação dos escravos. O ódio ao negro ficou sendo um resposta surda aos vencedores.

Desses estados, Obama só ganhou a Carolina do Norte, certamente devido à crise econômica, que vitimou em especial a cidade de Charlotte, onde se encontram as sedes do Bank of America e do Wachovia. Mesmo assim, com uma diferença de apenas 12 mil votos.

 

Os estados em vermelho mais escuro são o sul profundo.

Os estados em vermelho mais escuro são o "sul profundo".

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