Arquivos de etiquetas: Lula

Faz sentido.

18 out

Dentre os muitos emails que tenho recebido atacando e defendendo os dois candidatos à presidência da república, pincei esse, que me parece de bom senso e, pelo menos em parte, de acordo com a realidade brasileira:

Chico Oliveira, 76 anos, uma entrevista para reflexão

“Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível”.

“Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu”.
 

No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que “Lula nunca foi de esquerda”.
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é “privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu”.
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.
Folha – Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira – Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização…
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.
Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.
Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro…
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior.
Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto?
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.
O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.
Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.
Marina aparece como uma terceira força sustentável?
Acho que não. A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.
O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.
Como assim?
Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu.
Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo?
Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada.
Em 2004, o sr. atribuiu a Lula a derrota de Marta na prefeitura. Qual sua avaliação de Lula como cabo eleitoral de Dilma?
Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso.
Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.
Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu… Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito…

Segundo turno.

3 out

Não foi tão fácil como Lula imaginava.

Marina Silva deu a Serra a oportunidade de uma repescagem.

Como é que fica?

Por que a gente gosta de se enganar?

19 set

A gente vive contando mentiras para nós mesmos.

Pessoal, governo no Brasil é corrupto. Temo colocar que “todo governo no Brasil é corrupto”, para não estar cometendo alguma pequena injustiça. Agora, todo mundo se fazer de escandalizado com esse caso da Erenice, é hipocrisia ou ingenuidade.

O mal costume não dá direito a que se continue a corrupção, mas esse é o costume, virou cultura.

Cada um reaja como quiser, porque eu não estou aqui para pregar a matança de políticos. Mas pela razão e pelo voto isso não vai ter conserto, não.

Cada um reaja como quiser, repito, mas não me venham com reações de surpresa. Surpresa eu teria se a Dilma colocasse lá alguém que não participasse do esquemão. Alguém que fizesse seu papel honestamente.

Vamos acordar, pessoal!

Que nível!

12 ago

O amigo José Pequeno me mandou esse vídeo, de alguns dias atrás.

Na minha opinião mostra um adolescente brasileiro confrontado com a boçalidade política geral. Um presidente semi-anafalbeto e um governador metido a malandro. Como diz a Zilda, viramos brinquedo na mão dos poderosos.

Que tristeza!

Era lula…

13 jul

Beth, eu não disse que não ia dar certo?

(charge de Jean Peretto).

Cubanos protestam no consulado do Brasil em Miami.

17 mar

A imprensa não divulgou, nem chegou aos meus ouvidos aqui em Miami nada sobre esta manifestação de 26 de fevereiro, até que meu amigo Ricardo Adami mandou-me hoje este vídeo do YouTube:

A ausência desta notícia na grande imprensa brasileira é o seu retrato: órgãos da mídia vendidos para outros interesses que não aqueles de informar o povo brasileiro. Depois vem o Estado de São Paulo reclamar da censura de Lula. A imprensa é a primeira a fazer censura. Eles deveriam ter vergonha. Alguém viu isso no Jornal Nacional?

Faça um teste. Entre no Google e coloque “cubanos invadem o Consulado Brasileiro em Miami”. Apenas os blogs deram a notícia. Exceção: um site da Globo que pouca gente conhece: VejaTV.com.

Preso político não é preso comum.

12 mar

Fiquei preocupado com as declarações do Pres. Lula sobre a greve de fome de um preso político cubano.

Com aquela retórica aparentemente estúpida, o presidente do Brasil mandou uma mensagem clara de que a cubanização do Brasil é uma opção.

Lula usa comparações estapafúrdias que dão oportunidade às pessoas inteligentes de rirem da falta de lógica. Pois tudo que ele quer é que a gente ria. Ele sabe muito bem o que está dizendo e o que tem em mente.

Aparentemente ele se sentiria muito à vontade do outro lado do território que habitou durante a ditadura militar.

E por falar em ditadura militar, onde está Chico Buarque que não bota a banda na rua para discordar do presidente?

Lula é um Rocky Balboa?

5 out

O personagem boxeur que imortalizou Sylvester Stallone numa série de filmes famosa – Rocky Balboa – está servindo de comparação ao Pres. Lula, segundo este artigo do Los Angeles Times.

Quem faz a comparação é o cineasta brasileiro Bruno Barreto, na promoção do filme “Lula, Filho do Brasil”(“Lula, Son of Brazil”), dirigido por seu irmão Fábio Barreto.

Para Bruno, Lula foi um lutador desde a infância difícil, que venceu a luta pela vida.

Duas pérolas da justiça brasileira.

24 jun
  • Li estarrecido no O Globo que o Superior Tribunal de Justiça negou ser crime pagar por sexo com menores de idade.

             Ou esses juízes não entendem nada do assunto… ou entendem até demais!

  • O assassino confesso de Arthur Sendas pegou 18 anos de prisão, noves fora nada ou quase nada. 

             A justiça brasileira é um incentivo ao crime.

  • E por falar em pérolas, o Sr. Presidente da República está querendo reformar a Constituição: “Todos são iguais perante a lei, menos José Sarney(por usocapião em burlá-la, adiciono eu).

              Lula deve olhar o retrato de Sarney no Palácio do Planalto e dizer baixinho: “Eu sou você, amanhã!”.

Obama é só ouvidos, por enquanto.

14 nov

Todos dão conselhos para Obama. Até o Talibã.

O telefone não pára de tocar. É Medvedev, é Lula, e são conselhos sobre o Irã, a Geórgia, Israel… Todos ligam e opinam.

Obama é todo ouvidos, mas ações apenas depois do dia 20 de janeiro. 

O Talibã mandou uma mensagem para que “pare com as políticas do partido da oposição, os republicanos, e retire suas tropas do Afeganistão e do Iraque”.

Há também os recados indiretos: a Coréia do Norte avisou que não vai permitir que inspetores internacionais retirem solo e rejeitos nucleares da sua usina; o Irã informou que testou mísseis de longo alcance capazes de atingir o sul da Europa; e a Rússia reiteirou que não quer o escudo anti-mísseis na Polônia e República Tcheca

Mais no New York Times.

 

Orelhas não faltam. Charge de Daryl Cagle.

Orelhas não faltam. Charge de Daryl Cagle.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.