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“Os árabes não odeiam os judeus – foram vocês que os queimaram”, diz Kadafi na ONU.

23 set

Como era de se esperar, o líder líbio estourou os 15 minutos que lhe eram devidos e falou 90.

Chamou Obama de “nosso filho”(referência ao pai muçulmano de Obama?) e defendeu um estado único para judeus e palestinos – Isratine – “porque nós, árabes, não odiamos os judeus, foram vocês(europeus) que os queimaram, e os expeliram”.

Muamar Kadafi atacou sem piedade o Conselho de Segurança, que faz da ONU não uma democracria, “mas terrorismo de verdade”. Não temos que acatar as resoluções do Conselho de Segurança, que deveria se chamar “Conselho do Terror”.”

Para ele, o Conselho de Segurança deveria ser o braço que implementa “a vontade da Assembléia Geral”, segundo o New York Times.

O presidente líbio pediu ainda que a ONU investigasse as guerras desde a criação da ONU: Coréia, Canal de Suez, Vietnam, e as duas guerras do Iraque, que ele chamou de “mãe de todos os males”.

Kadafi insinuou que Israel esteve por detrás do assassinato de John F. Kennedy.

Obama para Netanyahu e Abbas: “Temos que conseguir resultados agora!”.

22 set

Obama se encontrou hoje com os líderes israelense e palestino e disse que “é de importância crucial” que as partes se esforcem para conseguir um acordo de paz definitivo.

“É hora de conseguir resultados”, disse o presidente americano, que antes do encontro a três, havia se reunido individualmente com os líderes Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas.

Obama se referiu aos principais pontos a serem resolvidos: Jerusalém, as fronteiras palestinas, o desmantelamento das colônicas judaicas na margem oeste e o destino dos refugiados palestinos que deixaram ou  foram forçados a deixar suas casas.

“Minha mensagem para vocês dois é muito clara”, disse Obama. “Apesar de todos os obstáculos, de toda a história, de toda a desconfiança, temos que encontrar o caminho”.

Obama procura reagir ao desânimo causado na semana passada pelo insucesso da missão de seu enviado especial, George Mitchell, que não conseguiu do governo israelense a interrupção de novas construções em áreas palestinas.

Adicione-se a falta de apoio à iniciativa do Pres. Obama para que os governos árabes aqueçam suas relações com Israel.

Obama pediu hoje que os negociadores israelenses e palestinos retornem na próxima semana a Washington para fecharem um acordo para o começo das negociações. Ele pediu à Secretária de Estado Hillary Clinton que lhe relate em outubro como estão progredindo as negociações, segundo o New York Times.

Obama perto de acordo para negociações de paz no Oriente Médio.

26 ago

Palestinos atravessam o muro.

O Pres. Obama deverá conseguir um acordo para que as negociações de paz comecem até o final de setembro, afirmam fontes americanas, israelenses, palestinas e européias.

Para trazer os israelenses para a mesa de negociações, Obama teve que prometer uma postura mais agressiva contra o programa nuclear iraniano, através de sanções da ONU no comércio de gás e petróleo.

Os israelenses terão em contrapartida que parar quase por completo a construção de novos assentamentos.

Hoje em Londres, o primeiro-ministro Benajamin Netanyahy se reunirá com o enviado especial de Obama, George Mitchell, para acertar detalhes.

França e Rússia se ofereceram para serem os anfitriões dos encontros.

Obama queria fazer o anúncio antes do começo do Ramadã, no fim de semana passado, mas não pode completar a negociação a tempo.

Obama pretende fazer o anúncio ladeado por Netanyahu, o líder palestino Mahmoud Abbas, e tantos líderes de países árabes quantos puder.

O presidente americanos espera concluir um tratado de paz em dois anos, período de tempo considerado irrealista por analistas da área.

George Mitchell tem conversa de três horas com Benjamin Netanyahu.

28 jul

A conversa reaviva as negociações entre o Estados Unidos e Israel.

“Houve progresso”, disse George Mitchell, enviado especial do Pres. Obama para o oriente médio.

Os comentários pós-encontro não fizeram menção à continuação de construções nos assentamentos judeus, e os palestinos já disseram que sem a sua interrupção não voltam às conversações de paz.

George Mitchell dissera que o clima melhoraria se “Israel se dispusesse a tratar de problemas sensíveis como o dos assentamentos”.

Joe Biden afirma que Estados Unidos não podem impedir Israel de atacar o Irã.

5 jul

O vice-presidente americano não disse que isso convém aos Estados Unidos, mas “Israel é um país livre com autonomia para fazer o que lhe convém”.

O comandante em chefe das tropos conjuntas americanas, Alm. Mike Mullen, declarou, quando perguntado sobre a posição exposta por Biden: “Por algum tempo me preocupava um ataque ao Irã. Acho que pode ser desestabilizador, não apenas em si, mas pelas consequências indesejadas”.

O presidente Obama acha que o progresso nas negociações de paz entre Israel e palestinos poderá enfraquecer o Irã, mas o primeiro-ministro isralense Benjamin Netahyahu acredita que antes do processo de paz deve-se resolver a questão do Irã.

Obama propõe ao Islã um recomeço.

4 jun

Quem poderia imaginar um discurso desses? Após oito anos de obscurantismo a luz brilha.

O presidente americano lembrou a importância da Universidade do Cairo, local onde fez o discurso, na história recente do Egito. E foi aplaudido ao terminar a introdução ao seu discurso com um “Assalaamu Alaykum”.

O relegamento a um papel sem importância foi imposto pelo Ocidente ao mundo islâmico, o que serviu de argumento a extremistas, tendo os ataques de 11 de setembro de 2001 sido o seu ápice.

A força do extremismo terminará se a atacarmos com a cooperação e o reconhecimento do que temos em comum, ao invés de enfatizarmos nossas diferenças. Esse discurso apenas não consertará nada, mas é preciso expressar a necessidade de ouvirmos uns aos outros. E citando o Corão: “Tenha a consciência de Deus e fale sempre a verdade”(aplausos).

Obama lembrou que é cristão, mas seu pai foi muçulmano de várias gerações, e que ele próprio viveu na Indonésia ouvindo o chamado para as orações. Lembrou os débitos da civiliação com os islamitas por terem aberto os caminhos para a Renascença e o Iluminismo; a álgebra, o compasso, os instrumentos para a navegação, a descoberta de doenças e sua maneira de contaminarem; a tolerância religiosa e a igualdade racial(aplausos).

O Marrocos foi o primeiro país a reconhecer a independência americana. A comunidade islâmica enriquece o povo americano através do serviço público, luta pelos direito civis, empreendedorismo, vida acadêmica, Prêmios Nobel… Considero minha missão como presidente lutar contra os estereótipos criados contra o Islã(aplausos).

Como também contra os estereótipos criados contra os Estados Unidos(aplausos). Somos a maior força de progresso que já existiu no mundo, baseada no princípio de que todos os homens foram criados iguais. Minha história pessoal não é única: um afro-americano, chamado Barack Hussein Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos(aplausos).

Vivemos num mundo unificado, onde uma crise econômica afeta a todos, assim como uma epidemia. Temos responsabilidades com os outros seres humanos. Aqueles nações que querem se impor às outras falirão nesse mundo novo. Isso quer dizer que temos que enfrentar as tensões, e é disso que vou falar agora.

A América não está em guerra com o Islã, mas não vamos dar trégua ao terrorismo.  Todos repudiamos o assassinato de homens, mulheres e crianças inocentes. A situação no Afeganistão demonstra nossa necessidade de trabalhar juntos. A Al-Qaeda matou 3 mil inocentes num só dia, e precisamos ir atrás deles. Não queremos permanecer indefinidamente lá, mas precisamos combater o mal, inclusive com ajuda para o desenvolvimento da economia daquele país, para o qual estou destinando US$2,8 bilhões.

Iraque. Foi uma guerra que causou divisões dentro do meu país. Apesar de eu achar que o fim de Saddam Hussein foi melhor para os iraquianos, acho que a diplomacia é a melhor maneira de responder a esse tipo de problemas(aplausos). Hoje temos a responsabilidade de ajudar o Iraque a forjar um futuro melhor, e deixar o Iraque para os iraquianos(aplausos).

Os acontecimentos de 11 de setembro foram traumatizantes, mas proibi a tortura e fecharei Guantánamo(aplausos). 

Agora, Israel, Palestina e o mundo árabe. Temos muitos laços com Israel, e nossa amizade é inquebratável. Depois de séculos de perseguições que culminaram com o Holocausto, os judeus agora têm a sua pátria. 

Por outro lado, o povo palestino – muçulmanos e cristãos – têm sofrido a dor da expulsão por mais de 60 anos, sofrem a humilhação diária da ocupação. A situação do povo palestino é intolerável. E a América não virará as costas para as aspirações legítimas de dignidade, oportunidades e de seu próprio estado do povo palestino.

A única saída para esta crise que se arrasta é que os dois povos encontrem através de dois estados uma forma de viver em paz e segurança(aplausos), o que é de interesse dos dois povos. 

Os palestinos têm que abandonar a violência. Não foi a violência que conquistou os direitos civis para os negros de meu país. O mesmo se aplica à África do Sul, à Indonésia e à Europa Oriental. A violência é um beco sem saída.

Chegou a hora dos palestinos voltarem-se para a construção. O Hamas tem que acatar suas responsabilidades para com o povo palestino. O Hamas precisa aceitar o direito de existir de Israel. Da mesma forma, Israel não pode negar esse direito aos palestinos. Os Estados Unidos declaram a ilegitimidade da continuação dos assentamentos israelenses(aplausos). Chegou a hora desses assentamentos pararem(aplausos).

Israel tem que cumprir com sua obrigação de assegurar que os palestinos possam viver, trabalhar e desenvolver sua sociedade. A devastação das famílias palestinas, a continuidade da crise humanitária na Faixa de Gaza não é bom para a segurança de Israel; nem a continuação da falta de oportunidades na Margem Oeste. 

Também alguns estados árabes não podem usar essa crise para encobrir seus problemas internos. 

Está na hora de agirmos. A paz não pode ser imposta. Ambas as partes reconhecem que o outro não poderá ser aniquilado. Todos temos a responsabilidade de trabalhar para que mães israelenses e palestinas possam ver seus filhos crescerem sem medo; para que a Terra Santa seja o lugar que Deus teve em mente; como na história de Isra, quando Moisés, Jesus e Maomé, paz para eles, se uniram em oração(aplausos).

A terceira fonte de tensão são as armas nucleares.

Há um relacionamento tumultuoso entre os Estados Unidos e o Irã. Os Estados Unidos ajudaram a derrubar um governo eleito pelo povo. A Revolução Islâmica hostilizou ao máximo os Estados Unidos. Será duro esquecer décadas de desconfiança. Precisamos, porém, ir em frente com coragem, retidão e disposição. Pecisamos evitar uma corrida nuclear armamentista no Oriente Médio.

Há quem protesta que alguns países têm armas nucleares e outros não; que nenhum país tem o direito de estabelecer quem pode e quem não pode ter armas nucleares. É por isso que os Estados Unidos são a favor de um mundo sem armas nucleares(aplauso). E qualquer nação – inclusive o Irã – deve ter direito a ter acesso à tecnologia nuclear pacífica se aceitar as responsabilidades do Tratado de Não-Proliferação das Armas Nucleares.

O quarto ítem que quero tratar é democracia(aplausos).

Debate-se a questão da democracia com relação à guerra do Iraque. Quero ser claro: nenhum sistema de governo pode ou deve ser imposto por uma nação a outra nação. O que não quer dizer que diminuiremos nosso apoio a governos que refletem a vontade do povo. Mas eu estou convencido de que todos querem essas coisas: confiança na aplicação das leis, e administração igualitária da justiça; governança transparente e sem roubo da coisa pública; a liberdade de viver como se escolher. Isso não são idéias americanas, são direitos humanos.

Alguns defendem a democracia quando não têm o poder, mas quando o têm suprimem os direitos dos outros(aplausos). Padrões iguais têm que ser utilizados pelos que têm o poder. Consenso, não coerção. Os interesses do povo devem estar acima dos de seu partido políticos. Sem isso, eleição apenas não fazem a democracia.

Alguém na platéia gritou: Barack Obama, nós te amamos!

Obrigado, respondeu o presidente, sob aplausos. 

O quinto ponto é a liberdade religiosa.

Esta é uma tradição que orgulha o Islã. Mas existe a tendência entre alguns muçulmanos de rejeitar a fé de outros. E também da parte de alguns países ocidentais, como por exemplo querendo ditar a maneira dos muçulmanos se vestirem. 

Na prática, a fé deveria nos unir. Por esta razão estão começando projetos na América para unir cristãos, muçulmanos e judeus. Por esta razão exalto o projeto saudita de diálogo entre as fés, e a liderança turca na Aliança das Civilizações. Vamos lutar contra a malária e disastres naturais em projetos conjuntos  de várias religiões. 

O sexto ítem são os direitos das mulheres(aplausos).

Rejeito a opinião de que uma mulher que tem que cobrir a sua cabeça é menos igual, mas aceito a de que uma mulher ao qual se nega é educação é negada a igualdade(aplausos). E não é coincidência que países onde mulheres são bem educadas são os países mais prósperos.

Isso não se aplica apenas ao Islã, onde em países como Turquia, Paquistão, Bangladesh e Indonésia mulheres são líderes. Essa luta se dá em todo o mundo, inclusive nos Estados Unidos. Estou convencido de que nossas filhas podem contribuir tanto para nossas sociedades como nossos filhos(aplauso).

Finalmente, quero discutir desenvolvimento econômico e oportunidade.

A globalização tem ganhos e perdas. Em todas as nações, inclusive nos Estados Unidos, ela traz medo. Mas não podemos negar o progresso humano, mesmo com as contradições do desenvolvimento e da tradição. Países como Japão, Coréia, Kuala Lumpur e Dubai desenvolvem-se sem perder suas tradições. 

A moeda do século XXI é a educação. Vou encorajar intercâmbios culturais entre nossos países. Um grupo de voluntários gerenciais será criado para atuar em países de maioria muçulmana. Uma Cúpula de Empreendedorismo acontecerá este ano para aumentar as relações entre os Estados Unidos e comunidades muçulmanas pelo mundo.

Os mesmos incentivos serão dados nas áreas de ciência e tecnologia.

Muitos – muçulmanos e não-muçulmanos – duvidam que poderemos começar de novo. Alguns querem jogar lenha na fogueira do desentendimento e atrapalhar o progresso. Outros acham que o esforço não vale a pena – que as civilizações têm mesmo que guerrear. Se ficarmos ligados ao passado, não poderemos mesmo ir em frente. 

Todos passamos por este mundo num breve momento. A questão é se passamos este tempo focados nas diferenças, ou se nos propomos a um esforço – um esforço continuado – de encontrar o que nos aproxima, no futuro que queremos para nossos filhos, no respeito à dignidade de todos os seres humanos.

É mais fácil começar guerras do que terminá-las. É mais fácil colocar a culpa nos outros do que olharmos para nossos interiores. Há uma máxima em todas as religiões: não faça ao outro o que não queres que façam a você(aplausos).

Temos o poder de fazer o mundo que queremos, mas apenas se tivermos a coragem de recomeçar, lembrando-nos do que foi escrito.

O Corão nos diz: Ó humanidade! Criamos o homem e a mulher: e os colocamos em nações e tribos de forma a quem possam conhecer uns aos outros.

O Talmud diz: Toda a Torah tem por finalidade promover a paz.

A Santa Bíblica nos diz: Bem-aventurados os que fazem a paz, porque eles serão chamados de filhos de Deus(aplausos).

Os povos do mundo podem viver juntos em paz. Sabemos que esta é a visão de Deus. Agora este deve ser o nosso trabalho na terra.

Obrigado. A paz de Deus esteja com vocês. Muito obrigado. Obrigado.

Aqui a integra do discurso em inglês.

Muçulmanos querem que Obama aja.

3 jun

Em uníssono o mundo muçulmano pede ação ao presidente americano.

E o objetivo é resolver o problema dos palestinos. É sabido que na base dos acontecimentos de onze de setembro está a imparcialidade americana no conflito palestino-israelense.

Há grande expectativa para o discurso de amanhã no Cairo, mas todas as manchetes dos jornais árabes têm em comum o pedido de ações, não apenas de palavras.

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, diz que a mensagem de Obama é de mudança também no relacionamento com o mundo muçulmano.

“Faz parte da amizade a honestidade”, disse o Pres. Obama com relação às relações com Israel. “A situação atual é profundamente negativa, e não atende os interesses de Israel nem dos Estados Unidos”.

Uma pesquisa feita na Arábia Saudia, segundo o jornal Arab News, mostra que o povo saudita acredita que a visita de Obama é um bom sinal de que ele agirá com honestidade no caso palestino.

“Para onde está indo Israel?” – de MJ Rosenberg.

3 jan

Abaixo, a tradução na íntegra de um artigo de MJ Rosenberg para o Huffington Post, com data de 2 de janeiro de 2009, intitulado “Para onde está indo Israel?”. Uma visão límpida e transparente do problema do oriente médio.

Estes são dias terríveis para nós que queremos ver Israel ser finalmente aceito por seus vizinhos. Num momento em que todos os 22 estados árabes ofereceram a Israel paz e normalização em troca dos territórios(ocupados) em ´67, esta guerra pode destruir esta possibilidade de uma vez para sempre.

Não, isso não quer dizer que questiono o direito de Israel de responder à matança com foguetes desde Gaza. É claro que tem este direito. Todo país tem o direito, a obrigação mesmo, de responder militarmente aos assassinos que fazem chover milhares de foguetes sobre o seu povo, deixando suas crianças tremendo de terror. A questão não é se Israel tem o direito, mas se exercê-lo desta forma está direito.

Para Israel, a única resposta certa é aquela que lhe trará a segurança que terá apenas quando for aceito por seus vizinhos. Há quem diga que este ataque ao Hamas certamente conseguirá isso. Eliminem os fanáticos, eles dizem, e Israel poderá fazer a paz com os moderados.

Mas Israel não é capaz de dar conta dos seus proprios malucos. Sob condições infinitamente mais confortáveis do que as de Gaza, os lunáticos israelenses – colonos que atacam crianças e pôem fogo em olivais – tornaram-se atores políticos importantes. Em Israel, é impossível formar um governo sem os malucos. Assim, como pode alguém imaginar a possibilidade de bombardear o Hamas até que seja domesticado?

É claro que seria suficiente se esta guerra pudesse eliminar a possibilidade do Hamas atacar Israel. Mas isto é um objetivo que poucos israelenses predizem que se conseguirá por muito tempo.

Uma coisa porém é certa – esta guerra não deverá trazer a paz. Na verdade, eu acredito que as fotos que árabes e muçulmanos do mundo inteiro estão vendo de ataques a Gaza deverá empurrá-la para um dia no futuro que nenhum de nós viverá o suficiente para ver.

Outro dia o Washington Post publicou na primeira página a foto da família de cinco jovens irmãs mortas num único ataque. Imaginem a repercussão no mundo árabe e no resto do mundo. Imaginem quanto tempo levará para que a lembrança, a mancha, destas cinco menininhas se extingua. 

E, não, não é relevante que o Hamas mate crianças ou que o faça intencionalmente e que Israel o faça por acidente. O Hamas é uma organização terrorista. Os padrões que se aplicam ao Hamas não se aplicam a um estado civilizado, membro das Nações Unidas, e um aliado dos Estados Unidos e do ocidente. Israel não é a Líbia, mas um estado criado por idealistas e humanistas judeus à procura não de dominação regional, mas um refúgio judeu. É o refúgio que está agora em jogo.

Outro dia, no New York Times, o historiador conservador israelense Benny Morris escreveu que os israelenses sentem que “os muros – e a história – estão apertando o estado de 60 anos”.

Ele se refere especificamente ao programa nuclear iraniano, o poder crescente do Hezbollah e do Hamas, e o desafeto dos árabes israelenses.

“A opinião pública no ocidente (e nas democracias, os governos não podem ficar muito atrás) está gradualmente reduzindo o seu apoio a Israel, e o ocidente olha com desconfiança o tratamento que o estado israelense dá aos seus vizinhos palestinos e tutelados. O Holocausto está rapidamente se tornando uma lembrança esgarçada e sem efeito, e os estados árabes estão crescendo em poder e segurança de si”, ele escreve.

Há poucos anos, a situação de Israel era totalmente diferente. Era aceito virtualmente por quase todos.

Alguns defensores vocais de Israel querem que a gente esqueça isso. Eles se agarram à idéia de que “o mundo sempre odiou Israel”(e os judeus), rejeitando como irrelevante a idéia de que a formação do estado palestino é a raiz do problema.

Eles rejeitam o fato porque sugere que Israel tem em mãos o seu próprio destino; que (Israel) pode determinar o seu lugar ao olhos do mundo, e especialmente o mundo árabe, mudando o seu relacionamento com os palestinos.

Como é que eu sei disso? Porque aconteceu antes.

Quando o Primeiro Ministro Isaac Rabin decidiu reconhecer a Organização para a Libertação da Palestina e o direito dos palestinos terem o seu estado na margem oeste e em Gaza, nove estados muçulmanos não-árabes, e 32 dos 43 estados africanos do sub-Saara estabeleceram relações com Israel. A Índia e a China, os dois maiores mercados do mundo, estabeleceram relações comerciais. A Jordânia assinou um tratado de paz e muitos outros emirados árabes começaram em silêncio a se relacionarem com Israel.

O boicote árabe terminou. Os investimentos externos aumentaram. Parecia ter terminado o isolamento de Israel.

A maior demonstração da mudança do comportamento internacional para com Israel ocorreu nos funerais, em 1995 de Isaac Rabin, que rivalizou com os do Presidente Kennedy em termos de representações internacionais. 

Líderes de virtualmente cada nação da terra vieram prestar homenagem a Rabin. Desde o Presidente Clinton e o Príncipe Charles ao Presidente Hosni Mabarak, Rei Hussein, e os líderes de todos os países da Europa, maioria da África e da Ásia (inclusive Índia e China), América Latina, Turquia, Marrocos, Mauritânia, Oman, Qatar, e Tunísia. Yasir Arafat chorou no apartamento de Leah Rabin em Tel Aviv.

O mundo chorava Rabin porque sob ele, Israel abraçou a causa da paz com os palestinos. A homenagem a Rabin era uma demonstração clara – como a abertura de relações comerciais e diplomáticas com estados anteriormente hostis – que Israel não estava sendo isolado porque era um estado judeu, mas por causa de seu conflito com os palestinos.

No momento que Rabin avançou para terminar o conflito, ele acabou com o isolamento. (Se o problema fosse ódio imortal aos judeus, a abertura de Rabin para os palestinos não teria afetado a posição de Israel).

Precisamos lembrar esses fatos quando os linhas-duras de Israel insistem que o sentimento anti-Israel não tem nada a ver com o comportamento de Israel. Isso não é absolutamente verdade. Até Ariel Sharon, o mais odiado de todos por árabes e muçulmanos, viu sua imagem transformada da noite para o dia quando resolveu liberar Gaza. Na verdade, ele foi ovacionado de pé nas Nações Unidas, o que o deixou  o velho chocado.

Isso é passado, e estamos no agora. Eu concordo com Morris que parece acreditar que, nesse passo, os dias de Israel estão contados.

Portanto, precisamos fazer as perguntas. A guerra de Gaza melhora a longo prazo (ou mesmo curto prazo) a situação? Não seria melhor induzir o Hamas a parar com os foguetes oferecendo-lhe em troca o fim do bloqueio que Israel impôs quando o Hamas venceu as eleições palestinas?

Está certo querer que o Hamas aceite Israel antes de negociações, ao invés de simplesmente lutar pela cessação total e absoluta da violência e do bloqueio, seguida de negociações? Israel poderia realisticamente esperar que o cessar-fogo continuasse enquanto Gaza permanecesse sob sítio, cheia de fome, doente, e sem empregos? E morrendo de frio. (Mesmo durante o cessar-fogo, Israel estava ligando o aquecimento e a eletricidade de Gaza por poucas horas ao dia).

Repito que não questiono o direito de Israel reagir. Mas esta é a questão errada. A questão certa a perguntar-se é porque chegou-se a este ponto. E nos perguntarmos se apoiar a continuação desta guerra – ao invés de um cessar-fogo imediato – não fará a Israel mais mal do que bem. 

 

MJ Rosenberg é diretor do Israel Policy Forum’s Washington Policy Center.

Aqui o artigo original no Huffington Post.

Obama não estará fazendo escolhas arriscadas?

19 nov

Quem faz esta pergunta é Steve Clemons em artigo no CNN.com.

As escolhas podem ser arriscadas, mas também podem ser brilhantes. Vamos à argumentação de Clemons:

Se a presença de Hillary Clinton no governo se constituir em fator de brigas e desentendimentos, será porque Obama está confuso, iludido, auto-destrutivo ou deixou a presidência lhe subir à cabeça.

Caso contrário, a escolha é brilhante, brilhante, brilhante.

O mesmo se aplica à escolha do encrenqueiro Rahm Emanuel, da manutenção do desleal Joe Lieberman, e da possivel continuação do bushista Robert Gates no Ministério da Defesa.

Mas o maior dilema é Hillary Clinton.

Obama poderá estar imitando o que George Bush fez com Colin Powell, seu principal rival dentro do Partido Republicano. Neutralizou-o fazendo-o Secretário de Estado, ao mesmo tempo que utilizava sua sagacidade militar.

Hillary ficaria satisfeita com o cargo, teria um lugar na História, e seria neutralizada como rival caso as eleições de 2010 não dêm bons resultados para os democratas.

Genial. Obama estaria também trazendo para seu governo alguém que se mostrou favorável ao Presidente Bush boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing por violação dos direitos humanos, alguém que apoiou a invasão do Iraque, alguém que acredita mais no porrete do que na diplomacia, alguém que já mostrou que sacrificiaria interesses árabes a favor de Israel.

Obama, ao contrário, declarou que se encontraria com os líderes mundiais mais encrenqueiros, que queria uma mudança de estratégia, e que queria evitar o “tipo errado de experiência“, implicitamente colocando os Clintons no passado e despreparados para o futuro. David Axelrod, estrategista de Obama, chegou a ligar Hillary Clinton à morte de Benazir Bhutto por não se opor a beligerância de Bush.

Apesar de tudo, pode ser um golpe de mestre de Obama, do tipo “quem não arrisca não petisca“.

À esta altura, Hillary certamente já percebeu que a nova estrela do universo político americano não deverá ter seu governo posto em cheque, mesmo com uma derrota em 2010. E mais: morrer como senadora de Nova York não é exatamente o seu sonho.

Outras vantagens: Hillary é cê-dê-efe e inteligente. Entende de micro-crédito, fez campanha e perdeu para conseguir um plano de saúde para todos, mas refez o plano e relançou-o nas primárias. Ela lança idéias, coloca-as em cheque e as relança. Ela é tenaz. Se Obama quer uma mudança de estratégia no Irã, Israel-Palestina, Síria, Cuba, Rússia e noutros desafios, ela é a pessoa certa.

Ao contrário de Bush, que cedeu a política externa para Cheney, Obama pretende ser o seu próprio Secretário de Estado, focado em redesenhar o contrato social global dos Estados Unidos. Será uma revolução, e para isso Hillary Clinton poderá ser a companheira ideal.

Aqui todo o artigo de Steve Clemons.

Vou ficar de Olho.

"Vou ficar de olho".

Los Angeles Times esconde vídeo de Obama que os republicanos querem.

29 out

Era uma festa de despedida para um catedrático conhecido internacionalmente, crítico de Israel e defensor dos palestinos. Rashid Khalidi estava deixando Chicago e indo para Nova York.

Barack Obama estava presente e falou dos frequentes jantares com Rashid, e da comida que a mãe deste, Mona, fazia nas ocasiões; e dos questionamentos que fizeram juntos.

Passaram-se cinco anos desde então, e um vídeo que o Los Angeles Times tem da festa está sendo requisitado pela campanha de McCain, mas o jornal diz que prometeu à sua fonte que não o divulgaria.

Uma grande empresa jornalística esta intencionalmente suprimindo informação que poderia ligar claramente Barack Obama a Rashid Khalidi,” disse Michael Goldfarb, porta-voz da campanha de McCain. “… falta uma semana para a eleição, e é triste que a imprensa favoreça tão obviamente a Barack Obama que force nossa campanha a ter que vir de público pedir que o Los Angeles Times faça o que tem obrigação… tornar pública a informação.”

Na festa, de muitos discursos contra Israel, Barack Obama foi o único a defender que se encontre pontos em comum entre os dois grupos, segundo a reportagem do Los Angeles Times.

Rashid Khalidi.

Rashid Khalidi.

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