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“Mi Habana que Eu Gosto” – Chico Moura vai para Cuba.

12 jul

Chico Moura é o decano da imprensa brasileira nos Estados Unidos, entre muitas outras coisas. Todo o mundo conhece o Chico, que antes de vir para Miami pontificou  muitos anos em Nova York.

Promoter, locomotiva, grande figura humana, Chico cativa a todos os que encontra, com simpatia e uma feijoada do outro mundo.

Ele está se despedindo hoje, terça-feira, com uma festa – “Mi Habana Que Eu Gosto” –  no Botequim Carioca, no centro de Miami.

Diz que está indo para Havana, Cuba, e não revela a missão.

Será o “nosso homem em Havana” o hércules que derrubará os portões da grande ilha abrindo-a para o turismo mundial?

A aparição de Fidel Castro na TV, hoje, depois de anos nos bastidores, é uma preparação para a sua chegada?

Quem quiser saber, compareça à festa e procure tirar alguma informação do próprio.

Bom viagem, Chico!

Cubanos protestam no consulado do Brasil em Miami.

17 mar

A imprensa não divulgou, nem chegou aos meus ouvidos aqui em Miami nada sobre esta manifestação de 26 de fevereiro, até que meu amigo Ricardo Adami mandou-me hoje este vídeo do YouTube:

A ausência desta notícia na grande imprensa brasileira é o seu retrato: órgãos da mídia vendidos para outros interesses que não aqueles de informar o povo brasileiro. Depois vem o Estado de São Paulo reclamar da censura de Lula. A imprensa é a primeira a fazer censura. Eles deveriam ter vergonha. Alguém viu isso no Jornal Nacional?

Faça um teste. Entre no Google e coloque “cubanos invadem o Consulado Brasileiro em Miami”. Apenas os blogs deram a notícia. Exceção: um site da Globo que pouca gente conhece: VejaTV.com.

E por falar em Cuba…

12 mar

Esse ginecologista cubano imigrou para a Carolina do Norte e tornou-se vendedor de carros.

Se Lula conseguir o que quer, vai sobrar ginecologistas brasileiros e faltar carros para eles venderem nos Estados Unidos…

OEA reintegra Cuba.

3 jun

Depois de 47 anos, Cuba volta a integrar a Organização dos Estados Americanos.

Todos os 35 membros votaram a favor da reintegração, à exceção dos Estados Unidos, que liderou a expulsão de Cuba da organização no auge da Guerra Fria. A reunião deu-se em Honduras.

Participou da reunião quase até o final a Secretária de Estado Hillary Clinton, até que partiu para encontrar o Pres. Obama no Egito.

Ainda não houve comentário oficial dos Estados Unidos a respeito.

“Homem morto andando!” – Cuba espera que Obama dê uma morte digna à revolução.

8 dez

“Homem morto andando”, grita o guarda da prisão na última viagem de um condenado à morte, de sua cela para a câmara de gás.

O grito já foi dado para Fidel e sua revolução. Os cubanos e o mundo olham com respeito. Todos esperam que Barack Obama seja um algoz cortês, respeitoso, que esqueça os erros deste homem e tenha piedade de seu povo sofredor.

Este é o tom do artigo extraordinário de Roger Cohen “The End of the End of the Revolution” (“O Fim do Fim da Revolução”), para a revista dominical do New York Times

Ele foi a Cuba e a Miami entrevistar pessoas que amam e odeiam Fidel Castro, ou pessoas que simplesmente ficaram letárgicas de tanto esperar a solução para os problemas de um país que resiste para ser fiel à teimosia do Comandante.

O artigo de Roger Cohen é acompanhado de fotografias igualmente extrordinárias de Ambroise Tézenas. Uma delas, reproduzida no final deste artigo, tirada no bar Las Alegrias, simplesmente pungente.

É uma rixa antiga, essa entre Cuba e os Estados Unidos. Depois de conquistar a duras penas a liberdade de Espanha, Cuba foi dominada pelos Estados Unidos por quatro anos, e teve que dar como resgate o território de Guantánamo, e aceitar a intromissão constante do vizinho potente e prepotente. Em paga, Fidel quase conseguiu convencer Kruschev a despejar uma canastra de bombas atômicas no território americano, durante a crise dos mísseis na década de sessenta.

Para Roger Cohen, existe mais do que uma rixa. Existe um bloqueiro mental que impede que cubanos e americanos sejam racionais quando se olham de frente. “Dizer que a crise cubana-americana é anacrônica é pouco”, ele escreve.

De um lado, o orgulho de se livrar de um ditador, Fulgêncio Batista, que permitia que gângsters e cidadãos americanos usassem a ilha como seu quintal para festas e lucros lícitos e ilícitos, enquanto a população não tinha educação, e nem saúde. O orgulho de ter hoje erradicado o analfabetismo, exportar vacinas e médicos para o mundo em necessidade.

Do outro, o encalacração da economia, um regime econômico que favorece a uns poucos e coloca o resto da população sem ter o que fazer, sem ter o que comer , sem ter o criar. Os que reclamam são “inimigos”, e vão passar longos anos na prisão. A liberdade de imprensa não existe. A única voz que consegue se ouvir é de um blog de uma jovem que diz que “se eu for presa haverá uma revolução pela Internet”. Seu blog, http://www.desdecuba.com/generaciony/, é traduzido em 12 linguas.

Na Pequena Havana, ou seja, em Miami, as opiniões amoloceram. Onde havia ódio mortal e não se admitia qualquer opinião que desviasse da oficial, que queria a morte de Fidel, e a volta ao que Cuba era antes da revolução, ouvem-se dissidências entre os mais antigos, e principalmente entre os mais jovens. Eles estão de transferência da política da paixão para a política da realidade.

Em maio, Fidel apoiou a candidatura Obama, e mesmo assim Obama conseguiu muitos mais votos entre os cubanos do que John Kerry há quatro anos. Eles estão no ar-refrigerado, dirigindo carrões modernos, vivendo em casas confortáveis, e têm pena dos que ficaram no racionamento, diante de uma tv que não faz mais do que lhes jogar verborréia oficial. Tudo piorado pelos três furacões que assolaram a ilha este ano.

Em Cuba, os poucos que conseguem desenvolver seus talentos sob a política do partido, continuam a repetir refrôes do passado, sem saber que o mundo atrás daquele mar mudou.

Fidel e seu irmão Raul sabem que esta situação congelada poderá continuar ainda por muitos anos, talvez décadas, com os Estados Unidos bloqueando comercialmente a ilha, e a ilha se mantendo no esquecimento do mundo. 

Mas Fidel e seu irmão Raul estão cansados de ver os rostos macilentos. Eles já mandaram mensagem ao algoz. “Venha por favor, traga a faca afiada, mas aja com respeito”. Esse é o desejo das vítimas, do sofrido povo cubano, do resto do mundo, inclusive Miami, onde poucos ainda querem fazer festa no dia do desfecho.

 

Las Alegrias. Pura ironia.

"Las Alegrias". Pura ironia. Foto de Ambroise Tézenas.

“Eliminação das tarifas de importação do etanol brasileiro”, pede o New York Times em editorial.

28 nov

A medida, segundo o jornal, melhoraria bastante o relacionamento com o Brasil.

O New York Times pede também o fim imediato do embargo a Cuba, para abrir a ilha para os ventos da mudança.

Obama terá a oportunidade de consertar as relações extremamente azedas com a América Latina, criadas com a bagunça que foi a administração Bush nesse particular.

Outra providência preconizada é abrir caminhos para a ajuda do FMI para países em necessidade, e mostrar que Washington quer conversar seriamente ao invés de ditar ordens em tráfico de drogas, política energética, integração econômica e imigração.

Não devemos nos esquecer que eles são nosso vizinhos“, termina o editorial.

Raul Castro quer encontrar-se com Obama em Guantánamo.

26 nov

A declaração foi feita ao ator Sean Penn, que foi entrevistá-lo para a edição de dezembro da revista The Nation.

Perguntado se iria a Washington encontrar-se com Obama, Raul Castro respondeu que preferiria um “lugar neutro”, como Guantánamo

Raul é mais conciliatório e pragmático do que seu irmão Fidel, segundo o Miami Herald.

O governo cubano quer que o embargo econômico seja suspenso e Obama quer que todos os prisioneiros políticos sejam libertados.

Raul Castro disse que as relações com a base de Guantánamo e o governo de Cuba são boas. Numa reunião mensal, são discutidos assuntos de logística. “Como cubano, quero que eles se vão, mas como militar gosto de sua presença aqui”.

Não vamos aceitar imposições nem ameaças, que é o que o governo atual nos faz“, ele disse a Sean Penn. “Queremos normalizar a situação entre os dois países“.

Obama não estará fazendo escolhas arriscadas?

19 nov

Quem faz esta pergunta é Steve Clemons em artigo no CNN.com.

As escolhas podem ser arriscadas, mas também podem ser brilhantes. Vamos à argumentação de Clemons:

Se a presença de Hillary Clinton no governo se constituir em fator de brigas e desentendimentos, será porque Obama está confuso, iludido, auto-destrutivo ou deixou a presidência lhe subir à cabeça.

Caso contrário, a escolha é brilhante, brilhante, brilhante.

O mesmo se aplica à escolha do encrenqueiro Rahm Emanuel, da manutenção do desleal Joe Lieberman, e da possivel continuação do bushista Robert Gates no Ministério da Defesa.

Mas o maior dilema é Hillary Clinton.

Obama poderá estar imitando o que George Bush fez com Colin Powell, seu principal rival dentro do Partido Republicano. Neutralizou-o fazendo-o Secretário de Estado, ao mesmo tempo que utilizava sua sagacidade militar.

Hillary ficaria satisfeita com o cargo, teria um lugar na História, e seria neutralizada como rival caso as eleições de 2010 não dêm bons resultados para os democratas.

Genial. Obama estaria também trazendo para seu governo alguém que se mostrou favorável ao Presidente Bush boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing por violação dos direitos humanos, alguém que apoiou a invasão do Iraque, alguém que acredita mais no porrete do que na diplomacia, alguém que já mostrou que sacrificiaria interesses árabes a favor de Israel.

Obama, ao contrário, declarou que se encontraria com os líderes mundiais mais encrenqueiros, que queria uma mudança de estratégia, e que queria evitar o “tipo errado de experiência“, implicitamente colocando os Clintons no passado e despreparados para o futuro. David Axelrod, estrategista de Obama, chegou a ligar Hillary Clinton à morte de Benazir Bhutto por não se opor a beligerância de Bush.

Apesar de tudo, pode ser um golpe de mestre de Obama, do tipo “quem não arrisca não petisca“.

À esta altura, Hillary certamente já percebeu que a nova estrela do universo político americano não deverá ter seu governo posto em cheque, mesmo com uma derrota em 2010. E mais: morrer como senadora de Nova York não é exatamente o seu sonho.

Outras vantagens: Hillary é cê-dê-efe e inteligente. Entende de micro-crédito, fez campanha e perdeu para conseguir um plano de saúde para todos, mas refez o plano e relançou-o nas primárias. Ela lança idéias, coloca-as em cheque e as relança. Ela é tenaz. Se Obama quer uma mudança de estratégia no Irã, Israel-Palestina, Síria, Cuba, Rússia e noutros desafios, ela é a pessoa certa.

Ao contrário de Bush, que cedeu a política externa para Cheney, Obama pretende ser o seu próprio Secretário de Estado, focado em redesenhar o contrato social global dos Estados Unidos. Será uma revolução, e para isso Hillary Clinton poderá ser a companheira ideal.

Aqui todo o artigo de Steve Clemons.

Vou ficar de Olho.

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