O colunista do New York Times está amedrontado e preocupado com as reações da Casa Branca ao conflito. Aqui um resumo do seu artigo:
Saiu um livro importantíssimo para o nosso momento atual: “Lessons in Disaster”(“Lições no Desastre”), de Gordon Goldstein, que foi colaborador de McGeorge Bundy, um dos arquitetos da Guerra do Vietnam.
Fazendo a resenha do livro para o New York Times, Richard Holbrooke(diplomata de Bush que foi acusado de culpa na crise Afeganistão/Paquistão), acha que o livro é mais presciente do que parece, porque relata métodos decisórios que estão se repetindo na atual Casa Branca.
Os paralelos ficaram claros na semana passada, quando Bob Woodward revelou no Washington Post que o comandante das forças da NATO no Afeganistão, Gal. Stanley McChrystal, declarou que se não forem trazidas mais tropas nos próximos 12 meses, poderá haver “fracasso da missão”.
Imediatamente a Casa Branca respondeu que o presidente “está explorando alternativas para o aumento de tropas no Afeganistão”.
Isso é “estranho”, disse Goldstein a Frank Rich, igual a John Kennedy avaliando o envio de mais tropas para o Vietnam, enquanto os militares soltavam balões de ensaio através da imprensa, do mesmo modo que também Obama está soltando seus balões através da imprensa.
E, como no Vietnam, se a moda pegar, logo “os Estados Unidos terão 300 mil homens no Afeganistão”, como predisse um dos poucos opositores da guerra dentro do governo Kennedy, George Ball, que vivia citando o fracasso francês. Para Goldstein, Joe Biden é o George Ball da administração Obama.
Embora voto vencido dentro de sua administração, Kennedy acabou não autorizando o aumento de tropas. Com a sua morte, essa política foi infelizmente revertida. Bundy escreveu que a lição de Baía dos Porcos serviu a Kennedy, que cria que “os conselheiros aconselham mas o presidente decide”.
Obama está agora na mesma posição solitária. Embora tenha dito que essa é “uma guerra de necessidade”, as circunstâncias mudaram. A Al-Qaeda está mais interessada no Paquistão nuclear, e as eleições roubadas no Afeganistão mostraram que Hamid Karzai não é um sócio confiável para afastar o Talibã.
Karzai, cujo irmão é conhecido traficante de drogas, é um novo Ngo Dinh Diem, o corrupto presidente do Vietnam do Sul. Kennedy conseguiu se livrar desses irmãos corruptos, mas Obama não parece ter um golpe na manga para Karzai.
Outros pontos de contato para Goldstein são que o Vietnam não foi dominado apesar de tentativas da China, França, Japão e Estados Unidos, como o Afeganistão também foi a sepultura das ambições de Alexandre o Grande, britânicos e soviéticos. A geografia abençoou ambos países.
Goldstein também se horroriza com a noção de que a estratégia no Vietnam de “clear and hold”(“limpe e mantenha”) esteja sendo cogitada para o Afeganistão, “um país com mais de 40 mil vilarejos espalhados num território maior do que a Califórnia e Nova York combinados”.
E Frank Rich termina: “Mesmo se conseguíssemos em uma ou duas décadas ganhar a guerra à custa de muitas mortes, o que impediria a Al Qaeda de se fortalecer na Somália e outros estados criminosos? Como poderia um Afeganistão livre do Talibã impedir um jidaista treinado nos campos da Al-Qaeda no Paquistão de praticar um ato de terrorismo em Denver ou em Queens?”
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