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Ele é esquizofrênico, assassino, mas não deixa de ser um gênio: Theodore Kaczynski, o Unabomber.

16 mar

“Nas sociedades primitivas a vida é uma sucessão de estágios. As necessidades e objetivos de um estágio sendo alcançados, não há relutância particular para passar para o próximo estágio. Um jovem atravessa o processo do poder tornando-se um caçador, caçando não por esporte ou satisfação pessoal mas para conseguir carne para alimento. (Nas moças o processo é mais complexo, com grande ênfase no poder social; mas não vamos discutir isso aqui). Passada com sucesso essa fase, o jovem não reluta em ajustar-se às responsabilidades de ter família. (Ao contrário, algumas pessoas modernas adiam indefinidamente ter filhos porque estão muito ocupados buscando algum tipo de “realização”. Sugerimos que a realização que precisam é uma experiência adequada do processo do poder – com objetivos reais ao invés de objetivos artificiais de atividades simuladas.) De novo, tendo criado seus filhos com sucesso, passando pelo processo do poder através do provimento das necessidades físicas da família, o homem primitivo sente que o seu trabalho foi feito e que ele está preparado para aceitar a velhice(se ele sobreviver até lá) e a morte. Muitas pessoas modernas, por outro lado, se perturbam com a perspectiva da morte, como se prova pelo esforço que fazem para manter a sua condição física, aparência e saúde. Argumentamos que isso se deve à falta de realização resultante do fato de que eles nunca colocaram suas forças físicas em ação útil,  jamais passaram pelo processo do poder usando os seus corpos para valer. Não é o homem primitivo, que usou o seu corpo diariamente com objetivos práticos, que teme a deteorização da idade, mas o homem moderno, que nunca teve um uso prático para o seu corpo além de caminhar do carro para a casa. É o homem cuja necessidade do processo do poder foi satisfeita durante sua vida que está melhor preparado para aceitar o fim de sua vida.”

Um gênio que na infância apresentou em teste o Q.I. 167, Kaczynski desenvolveu comportamento anti-social desde tenra idade. Apesar de se destacar em Harvard, depois de poucos anos de vida acadêmica com doutorado em Matemática resolveu se isolar nas montanhas de Montana à procura de uma existência auto-suficiente. A aproximação do progresso casou-lhe revolta com a sociedade técnico-industrial, e como vingança ele passou a mandar bombas pelo correio para catedráticos e para companhias aéreas(irritava-lhe a passagem de aviões sobre sua cabana). Durante quase duas décadas ele consegui evadir o FBI, e a publicação de um manifesto com 30 mil palavras que enviou ao New York Times e ao Washington Post levantou, por causa do estilo, suspeitas em sua cunhada e irmão, que o delataram às autoridades. Três pessoas morreram em consequência das bombas, e muitas foram feridas. Kaczynski, que foi classificado como esquizofrênico pelos psiquiatras que o entrevistaram na prisão, cumpre pena de prisão perpétua. Nada disso impede a genialidade de seu manifesto. Os parágrafos do manifesto são numerados. O que acima está traduzido é de número 75. Há muito material para discussão em suas idéias, mas algumas, como as do parágrafo acima, acho geniais.

Aqui todo o texto do manifesto de Kaczynski.

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