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“Rei morto é(sic) rei posto” – Lula.

3 nov

O dito popular é “Rei morto, rei posto”, mas o nosso ainda presidente aproveitou mais uma vez para maltratar a língua pátria e mandar uma mensagem à nação: “continuarei governando”.

Como sempre, Freud explica.

Faz sentido.

18 out

Dentre os muitos emails que tenho recebido atacando e defendendo os dois candidatos à presidência da república, pincei esse, que me parece de bom senso e, pelo menos em parte, de acordo com a realidade brasileira:

Chico Oliveira, 76 anos, uma entrevista para reflexão

“Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível”.

“Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu”.
 

No começo de 2003, ano em que rompeu com o PT, o sociólogo Francisco de Oliveira, 76, afirmou que “Lula nunca foi de esquerda”.
Agora, o professor emérito da USP dá um passo adiante e diz que Lula, mais que Fernando Henrique Cardoso, é “privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu”.
Na entrevista abaixo, Oliveira, um dos fundadores do PT, também afirma que tanto faz votar em Dilma Rousseff (PT) ou José Serra (PSDB), analisa o papel de Marina Silva (PV) e critica a entrada do aborto no debate político pela ótica da religião.
Folha – Qual a sua avaliação sobre o debate eleitoral no primeiro turno?
Francisco de Oliveira – Fora o horror que os tucanos têm pelos pobres, Serra e Dilma não têm posições radicalmente distintas: ambos são desenvolvimentistas, querem a industrialização…
O campo de conflito entre eles é realmente pequeno. Mas, por outro lado, isso significa que há problemas cruciais que nenhum dos dois está querendo abordar.
Que tipo de problema?
Não se trata mais de provar que a economia brasileira é viável. Isso já foi superado. O problema principal é a distribuição de renda, para valer, não por meio de paliativos como o Bolsa Família. Isso não foi abordado por nenhum dos dois.
A política está no Brasil num lugar onde ela não comove ninguém. Há um consenso muito raso e aparentemente sem discordâncias.
Dá a impressão que tanto faz votar em uma ou no outro…
É verdade. É escolher entre o ruim e o pior.
Qual a sua opinião sobre a movimentação de igrejas pregando um voto anti-Dilma por causa de suas posições sobre o aborto?
É um péssimo sinal, uma regressão. A sociedade brasileira necessita urgentemente de reformas, e a política está indo no sentido oposto, armando um falso consenso.
O aborto é uma questão séria de saúde pública. Não adianta recuar para atender evangélicos e setores da Igreja Católica. Isso não salva as mulheres das questões que o aborto coloca.
O que significa a entrada desse tema no debate?
Representa o consenso por baixo devido ao êxito econômico. Essas posições conservadoras ganham força. Há uma tendência a todo mundo ser bonzinho. Nesse contexto, ninguém quer tomar posições consideradas radicais.
Com o progresso econômico, há um sentimento de conformismo que se alastra e se sedimenta, as pessoas ficam medrosas, conservadoras. Isso está ocorrendo no Brasil.
Gente da classe C e D mostra-se a favor de uma marcha de progresso lenta e contínua. Eles não querem briga, não querem conflito. Por isso o Lula paz e amor deu certo.
Se as pessoas tornam-se conservadoras, o que explica a divisão do Brasil quando considerada a votação de Dilma e Serra nos Estados?
É um racha. Significa que a questão da desigualdade regional ainda é muito marcante. Aliás, essa é outra questão que está fora da discussão. Os dois não querem abordar o tema. O que eles têm a dizer sobre os problemas regionais? O que fazer com as regiões deprimidas?
Por baixo disso tudo está a velha história de que São Paulo é uma locomotiva que puxa 25 vagões vazios.
Essa tensão existe. Esse desequilíbrio vai criando a sensação de que há um lado pobre e um lado rico. Como se houvesse um voto comprado, de curral eleitoral, e outro consciente. Há de fato uma fratura, e isso ressurge em períodos eleitorais.
Marina aparece como uma terceira força sustentável?
Acho que não. A ascensão dela se dá pela falta de radicalização dos dois principais, e a questão do ambiente é relativamente neutra. Não vejo eco na sociedade, a não ser de forma superficial. Não é um tema que toca nos nervos das pessoas. A onda verde é passageira.
O sr. foi um dos primeiros a romper com o PT, em 2003, e saiu fazendo duras críticas ao presidente. Lula, porém, termina o mandato extremamente popular. Na sua opinião, que lugar o governo Lula vai ocupar na história?
A meu ver, no futuro, a gente lerá assim:
Getúlio Vargas é o criador do moderno Estado brasileiro, sob todos os aspectos. Ele arma o Estado de todas as instituições capazes de criar um sistema econômico. E começa um processo de industrialização vigoroso. Lula, é bom que se diga, não é comparável a Getúlio.
Juscelino Kubitschek é o que chuta a industrialização para a frente, mas ele não era um estadista no sentido de criar instituições.
A ditadura militar é fortemente industrialista, prossegue num caminho já aberto e usa o poder do Estado com uma desfaçatez que ninguém tinha usado.
Depois vem um período de forte indefinição e inflação fora de controle.
O ciclo neoliberal é Fernando Henrique Cardoso e Lula. Coloco ambos juntos. Só que Lula está levando o Brasil para um capitalismo que não tem volta. Todo mundo acha que ele é estatizante, mas é o contrário.
Como assim?
Lula é mais privatista que FHC. As grandes tendências vão se armando e ele usa o poder do Estado para confirmá-las, não para negá-las. Então, nessa história futura, Lula será o grande confirmador do sistema.
Ele não é nada opositor ou estatizante. Isso é uma ilusão de ótica. Ao contrário, ele é privatista numa escala que o Brasil nunca conheceu.
Essa onda de fusões, concentrações e aquisições que o BNDES está patrocinando tem claro sentido privatista. Para o país, para a sociedade, para o cidadão, que bem faz que o Brasil tenha a maior empresa de carnes do mundo, por exemplo?
Em termos de estratégia de desenvolvimento, divisão de renda e melhoria de bem-estar da população, isso não quer dizer nada.
Em 2004, o sr. atribuiu a Lula a derrota de Marta na prefeitura. Qual sua avaliação de Lula como cabo eleitoral de Dilma?
Ele acaba sendo um elemento negativo, mesmo com sua alta popularidade. O segundo turno foi um aviso. Há uma espécie de cansaço. Essa ostensividade, essa chalaça, isso irrita profundamente a classe média. É a coisa de desmoralizar o adversário, de rebaixar o debate. Lula sempre fez isso.
Como o sr. avalia as afirmações de que o comportamento de Lula ameaça a democracia?
Não vejo como uma ameaça. Mas o Lula tem um componente intrinsecamente autoritário.
Em que sentido?
Ele não ouve ninguém, salvo um círculo muito restrito, e ele tem pouco apreço por instituições.
Eu o conheço desde os anos de São Bernardo. Ele tem a tendência, que casa perfeitamente com o estilo de política brasileira, de combinar primeiro num grupo restrito e, depois, fazer a assembleia. Ele sempre agiu assim.
Não é pessoal, é da cultura brasileira, ele foi cevado nisso. Mas não que ele queira derrubar a democracia.
Isso é da cultura política em que ele foi criado: o sindicalismo, que é um mundo muito autoritário, muito parecido com a cultura política mais ampla. E ele se dá bem, sabe se mover nesse mundo.
As instituições de fato não são o barato dele. Mas ele não ameaça a democracia do ponto de vista mais direto nem tem disposição de ser ditador. Acho essas afirmações um exagero, uma maldade, até. Elas têm um conteúdo político muito evidente.
Agora, certa ala do PT, com José Dirceu… Esse tem projetos mais autoritários.
E essa ala ganharia mais força num governo Dilma?
Acho que não. Porque Lula vigia ele de muito perto. Lula não gosta dele [José Dirceu]. Tem medo, até, do ponto de vista político. Ele veio de outra extração, a qual Lula detesta. Uma extração propriamente política, de esquerda.
O sr. já disse que Lula havia matado a sociedade civil. O que pode acontecer num governo Dilma e Serra? Haveria diferença?
Os governos tucanos têm horror ao povo. Isso não é força de expressão. É uma questão de classe social.
Eles não têm contato com o real cotidiano popular. Eles não andam de ônibus, não têm experiência do cotidiano da cidade. Nem de metrô eles andam, o que é incrível.
A cidade é grande, tem violência, a gente sabe. Mas eles não sabem como é o transporte, como são os hospitais, as escolas públicas. Há uma fratura real, eles perderam a experiência do cotidiano real. E isso não entra pelas estatísticas, só pela experiência.
Por causa disso, o governo deles é sempre uma coisa muito por cima. Eles são pouco à vontade com o popular. Essa é a diferença marcante em relação a Lula.
Sobre Dilma eu não sei. Ela pode também sofrer desse mal.
Mas, do ponto de vista da evolução e da função dos movimentos sociais, qual dos dois é preferível?
Eis uma questão difícil. Os tucanos, com esse horror a pobre, tendem sempre a aumentar essa fratura, essa separação. Os tucanos não têm jeito…

Por que a gente gosta de se enganar?

19 set

A gente vive contando mentiras para nós mesmos.

Pessoal, governo no Brasil é corrupto. Temo colocar que “todo governo no Brasil é corrupto”, para não estar cometendo alguma pequena injustiça. Agora, todo mundo se fazer de escandalizado com esse caso da Erenice, é hipocrisia ou ingenuidade.

O mal costume não dá direito a que se continue a corrupção, mas esse é o costume, virou cultura.

Cada um reaja como quiser, porque eu não estou aqui para pregar a matança de políticos. Mas pela razão e pelo voto isso não vai ter conserto, não.

Cada um reaja como quiser, repito, mas não me venham com reações de surpresa. Surpresa eu teria se a Dilma colocasse lá alguém que não participasse do esquemão. Alguém que fizesse seu papel honestamente.

Vamos acordar, pessoal!

O Caso Erenice.

16 set

A gente já viu esse filme antes.

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“Brasil clama por continuidade” – Mac Margolis para Newsweek.

26 jul

Mac Margolis é o correspondente da revista americana Newsweek para o Brasil há 21 anos.

Nesse artigo para o número mais recente da revista, Mac Margolis escreve que, ganhe quem ganhar a eleição para a presidência da república, os brasileiros querem que seja dada continuidade ao governo Lula: ”Os brasileiros não querem uma carta-compromisso apenas de Dilma Roussef, mas principalmente de José Serra, é dito no Brasil em tom de piada”.

Margolis refere-se acima à carta-compromisso escrita por Lula – “Carta ao Povo Brasileiro” – às vésperas da eleição de 2002, em que “apesar de meu passado de confrontação, comprometo-me a governar dentro das leis do livre mercado”.

“Roussef não pára de assegurar aos brasileiros que jogou fora as armas para seguir o caminho do centro, de Lula”, ele escreve.

Para Mac Margolis, “o clamor por continuidade é um sinal claro que o amadurecimento político chegou à América Latina”.

“Apesar de Hugo Chávez, e da intervenção demasiada do estado na economia na Argentina e na Bolívia, com controle de preços e gastos demagógicos, a América Latina virou-se notadamente para o centro. Tanto nos novos governos conservadores do Chile, da Colômbia e de Honduras, quanto no populista do Peru, e nos socializantes do Paraguai e do Uruguai, a tônica é a moderação”.

“Isso se deve ao Brasil, onde o compromisso de Lula de manter a inflação baixa, pagar as dívidas, e jogar dentro das regras do mercado, estabilizou a economia e supreendeu os céticos. Um dos gurus de mercados emergentes, Mark Mobius, declarou: “Ninguém jamais sonharia que Lula se comportaria dessa forma”".

“Embora Lula ultimamente tenha aumentado os gastos com o funcionalismo, e interferido na indústria do petróleo, ele se mantém fiel às suas políticas centristas. E é isso que os brasileiros esperam de quem venha a ser o próximo presidente. Aumentou o número dos que ascenderam à classe média, e agora os eleitores, acostumados à estabilidade econômica, prosperidade, e democracia, não tolerariam aventuras.”

E termina: “Uma eleição sem surpresas é tudo o que o Brasil – e a América Latina – quer”.

Lula consegue acordo com Irã, ajudado pela Turquia.

17 mai

O Irã mandará para a Turquia urânio pouco-enriquecido, o que, pelo menos por enquanto, impediria a fabricação de armas nucleares, segundo o MSNBC.

Os Estados Unidos que lideram o movimento para mais sanções da ONU ao Irã terá dificuldades de consegui-las devido ao acordo tecido em grande parte pelo presidente do Brasil.

Segundo O Globo, a França já declarou que o acordo “não resolve os problemas impostos pelo programa nuclear iraniano”.

Os líderes após o acordo assinado.

O bochicho da semana.

2 mai

O presidente Lula fotografado por Marco Grob, para a revista Time.

Vamos começar pela foto.

Convenhamos, o homem está bonito e poderoso.

Pudera, pois essa foto acompanha uma reportagem da revista Time dessa semana sobre gente poderosa.

Aí é que começa o bochicho.

O artigo colocou o presidente brasileiro na cabeça da lista das pessoas mais influentes do mundo no momento. Está lá o nome de Luiz Inácio Lula da Silva em primeiro lugar. Numa lista que não está em ordem alfabética e contém números, ficava clara a intenção da revista.

A reação no Brasil dos inimigos do presidente foi imediata. Fizeram pressão e a Time cedeu!

A revista americana tirou os números da lista de sua edição online, e declarou que não atribuia primazia a qualquer de seus participantes, segundo essa matéria do noticiário UOL.

Se a Time voltou atrás, pouco importa. O que importa é que a revista realmente tinha essa intenção inicial. E contratou o cineasta Michael Moore para traçar o perfil de Lula. Um perfil com ênfase no seu passado sofrido e seus projetos sociais.

Admira também a força dos que fizeram a revista dar um passo atrás. Minhas fontes paulistanas informam que a resistência veio de lá.

Atualização do post: Acabo de receber a revista pelo correio, e confirmo a primazia dada a Lula entre os líderes políticos.

Cubanos protestam no consulado do Brasil em Miami.

17 mar

A imprensa não divulgou, nem chegou aos meus ouvidos aqui em Miami nada sobre esta manifestação de 26 de fevereiro, até que meu amigo Ricardo Adami mandou-me hoje este vídeo do YouTube:

A ausência desta notícia na grande imprensa brasileira é o seu retrato: órgãos da mídia vendidos para outros interesses que não aqueles de informar o povo brasileiro. Depois vem o Estado de São Paulo reclamar da censura de Lula. A imprensa é a primeira a fazer censura. Eles deveriam ter vergonha. Alguém viu isso no Jornal Nacional?

Faça um teste. Entre no Google e coloque “cubanos invadem o Consulado Brasileiro em Miami”. Apenas os blogs deram a notícia. Exceção: um site da Globo que pouca gente conhece: VejaTV.com.

E por falar em Cuba…

12 mar

Esse ginecologista cubano imigrou para a Carolina do Norte e tornou-se vendedor de carros.

Se Lula conseguir o que quer, vai sobrar ginecologistas brasileiros e faltar carros para eles venderem nos Estados Unidos…

Preso político não é preso comum.

12 mar

Fiquei preocupado com as declarações do Pres. Lula sobre a greve de fome de um preso político cubano.

Com aquela retórica aparentemente estúpida, o presidente do Brasil mandou uma mensagem clara de que a cubanização do Brasil é uma opção.

Lula usa comparações estapafúrdias que dão oportunidade às pessoas inteligentes de rirem da falta de lógica. Pois tudo que ele quer é que a gente ria. Ele sabe muito bem o que está dizendo e o que tem em mente.

Aparentemente ele se sentiria muito à vontade do outro lado do território que habitou durante a ditadura militar.

E por falar em ditadura militar, onde está Chico Buarque que não bota a banda na rua para discordar do presidente?

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