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Antes de puxar o lençol…

19 mai
  • Os imigrantes ilegais estão na ordem do dia. Ironicamente, a lei do Arizona está ajudando a causa. Hoje Michelle Obama foi com a primeira-dama do México visitar uma escola, e uma menina de sete anos disse que sua mãe era ilegal, e Michelle respondeu que o problema da imigração será resolvido. A candura da menina deixou muita gente emocionada. O presidente Calderon criticou duramente a lei do Arizona chamando-a “discriminatória” e disse que rejeitará a “criminalização da imigração”. Aqui o vídeo com Michelle Obama.
  • A Igreja Católica continua a expandir o território da insensibilidade e do ridículo: foi excomungada uma freira que permitiu em novembro o aborto de uma mulher que, segundo os médicos, tinha 99% de chances de morrer, se não fizesse um aborto. A irmã Margaret McBride, que dirige um hospital em Phoenix, Arizona, autorizou o aborto da mulher que sofre de graves problemas cardíacos e estava na décima-primeira semana de gravidez. A mulher sobreviveu, mas o bispo Thomas J. Olmsted declarou que McBride estava automaticamente excomungada. Enquanto isso, os pedófilos circulam livremente. Eu prefiro pão francês à óstia, pela manhã, mas para a freira deve ter sido um golpe. Taí uma boa oportunidade para ela mandar a IC para algum lugar…
  • Muita gente faz coisas muito mais importantes e úteis do que eu, e fica calada. Eu, pelo contrário, viro peça de museu, o que não é nenhuma façanha, e conto para todo mundo. Pois é, o Museu de Arte de Coral Springs, na Flórida, colocou no seu acervo uma foto do fotógrafo de arte brasileiro Cesar Barroso. Abaixo, a entrega do portrait de Pablo Cano à diretora-executiva do museu, Barbara O’Keefe:

Guerra no Vaticano – cardeal acusa cardeal sobre encobrimento de caso de pedofilia.

9 mai

Christoph Schoenborn, cardeal de Viena, acusa a Angelo Sodano, cardeal italiano que foi secretário de estado do Vaticano de 1990 a 2006, de bloquear as investigações sobre a pedofilia de um cardeal austríaco já falecido, Hans Hermann Groer.

As acusações foram feitas numa reunião privada com jornalistas austríacos, divulgadas ontem pela agência Kathpress e publicada com destaque hoje pelo conservador Il Giornale, da Itália(a matéria desapareceu misteriosamente da edição online do jornal na noite de hoje – o que será que aconteceu…?).

O cardeal Groer renunciou ao arcebispado de Viena em 1995 depois da acusação de que abusara sexualmente de seminaristas. Ele morreu em 2003 sem ter admitido culpa nem ser processado.

Segundo Schoenborn, Sodano repelia as acusações como “intriguinhas”. O então cardeal Ratzinger queria uma investigação profunda, afirma a agência Kathpress.

Uma publicação católica norte-americana acusou Sodano no mês passado da mesma omissão no caso do Pe. Marcial Maciel, superior dos Legionários de Cristo.

Esse é um caso único de acusação pública de um cardeal contra outro cardeal, segundo o MSNBC.

O cardeal Sodano ainda não respondeu às acusações.

A banda sadia da Igreja Católica.

4 mai

A gente vem a saber muita coisa sobre a banda podre da Igreja Católica, que acaba se esquecendo de seu lado sadio.

Ao ver a lista de heróis da Time, pensei que poderia trazer alguma freira ou padre desconhecidos que se consomem em doença em algum lugar da África, ou na Amazônia.

E há também aqueles que, mesmo levando uma vida comum, têm espírito de solidariedade; pessoas que sacrificam gostos pessoais e atendem aos que sofrem e que precisam da caridade para sobreviver.

A propósito me caiu diante dos olhos um artigo de Nicholas D. Kristof para o New York Times intitulado “Quem Pode Zombar dessa Igreja?”.

Kristof escreve diretamente do Sudão, onde foi fazer um artigo sobre a pobreza, e encontrou pessoas despojadas “grandes não pelo que vestem mas pela imensidade de sua compaixão – padres e freiras”.

Para ele existem duas igrejas, o clube fechado do Vaticano e o agrupamento de padres, freiras e leigos de pé no chão em lugares como o Sudão. “E é nessa gente comunitária que eu encontro a verdadeira alma da igreja”, escreve ele.

Kristof defende a cobertura que a imprensa dá aos escândalos que o Vaticano acoberta, porque ela protege as crianças de mais abusos, mas reconhece que há um certo esnobismo liberal e secular da imprensa para com a igreja.

Ele acha que quando se fala mal de uma instituição tão defasada, homofóbica, insensível ao combate a AIDS, a gente se esquece de um Pe. Michael no lugarejo de Nyamlell, a 250 quilômetros de qualquer rodovia asfaltada no Sudão. Ele dirige quatro escolas, e seus alunos estão entre os melhores do Sudão.

Ele chegou lá em 1978 e fala fluentemente as línguas locais. Para manter as escolas abertas, ele aguentou a guerra civil, foi preso e agredido fisicamente, e contraiu uma série de doenças. “É muito comum ter malária”, ele diz; “parasitas intestinais também são comuns”.

Diz Kristof que o Pe. Michael é o “padre mais mal vestido que já vi, mas também o mais nobre; esse seria um grande papa.”

Em outra cidade ele encontrou a freira Cathy Arata, de Nova Jersey, que trabalhou com mulheres vítimas de violência nos Estados Unidos, e com camponeses em El Salvador. Está há dois anos no Sudão trabalhando no projeto Solidarity With Southern Sudan.

O projeto já preparou 600 professores, e ajuda a combater a fome ensinando técnicas agrícolas. No hospital ao lado da escola, a cirurgiã é uma freira italiana. A outra médica é uma freira de 72 anos de Rhode Island.

Leia Junto se alia a Kristof na separação que faz entre dois grupos existentes na Igreja Católica. Embora eu desaprove a instituição em si, não posso deixar de admirar essas e todas as outras pessoas que, em nome de uma religião ou não, se despreendem de suas culturas, do conforto, para passar necessidades e contrair doenças somente para servir aos outros.

Todos aqui sabem que fui seminarista católico. Poderia fazer uma lista bastante grande de verdadeiros padres educadores e honestos com os quais convivi. Havia também os desclassificados que se apoiavam na necessidade imperativa do Vaticano de preservar as aparências para cometer abusos. Baseado no que vi nesses anos afirmo sem medo de errar que, de Belo Horizonte a San Francisco, de Madri a Mombai, há padres e freiras bem intencionados e que realmente atendem a necessidades humanas básicas, com total despreendimento.

Os abusos são resquícios de uma idade em que nobres e clero tinham carta branca para fazer o que quisessem. A Igreja Católica consegue manter privilégios daquela época, e é contra isso que eu e muito lutamos. Esses privilégios além de serem injustos, como isenções fiscais, levam e incentivam ao abuso sexual.

Muitas dessas pessoas pertencentes à banda sadia da IC não se conformam com os ataques que são feitos ao Vaticano. Fazem parte de uma instituição e a defendem. É um direito seu. Mas aqui no Leia Junto continuaremos a divulgar os abusos e seu acobertamento como crimes.

Por que elas não abandonam a banda podre da IC e se juntam a outras instituições para fazer o bem que fazem? Não sei responder. Talvez por uma questão de tradição familiar, crença. Mas eu não me julgo no direito de dizer a essas pessoas o que devem ou não fazer. A realidade é que elas estão aí e o que fazem é digno de todo louvor.

E enquanto a banda podre da IC não parar de interferir negativamente na sociedade civil e tentar impor um moralismo que ela não pratica, continuaremos a combatê-la.

Aqui o artigo de Nicholas Kristof.

Bento XVI assume o controle dos Legionários de Cristo, cujo padre fundador era pedófilo e pai de várias crianças.

1 mai

O papa vai designar uma pessoa de sua confiança para dirigir a ordem, cujo fundador, o Pe. Marcial Maciel Degollado, falecido recentemente, e que era amigo de João Paulo II, era pedófilo e pai de vários filhos.

Finalmente o papa começa a tomar atitudes para conter os abusos de uma ordem poderosa, Legionários de Cristo, e seu braço leigo, a Regnum Christi. Os críticos porém acham muito difícil que as duas instituições consigam se livrar dos hábitos adquiridos em muitos anos de desmandos. Para eles as duas instituições deveriam ser extintas.

Um bispo mexicano diz que em 1999 o então cardeal Ratzinger impediu a investigação das denúncias apresentadas por oito seminaristas da ordem. Em 2004, pouco antes da morte de João Paulo II, Ratzinger reabriu o processo, e em 2006 tirou as ordens do Pe. Maciel, mandando-o para uma vida de retiro e penitência. As vítimas do padre acham que isso não é pena para os seus crimes.

O Pe. Maciel conseguia, apesar do conhecimento público de sua vida sexual, se manter no poder graças a um estilo maquiavélico de governar a Legionários de Cristo.

Mais no New York Times.

João Paulo II parece dizer para o seu amigo fauno: "Comigo não!".

Alemães abandonam o catolicismo em grande número.

24 abr

Católicos estão abandonando a igreja em grande número na Alemanha, segundo esse artigo de O Globo.

Na diocese de Bamberg, as baixas pularam de 200 para 1.400 fiéis por mês. Em Regensburgo, onde foi registrado um caso de maus tratos em coro dirigido por Georg Ratzinger, irmão do Papa Bento XVI, o abandono foi quintuplicado.

Em Berlim, quintuplicou o número de abandonos, e em Augsburg as baixas chegaram a 4.300 depois que o bispo renunciou ao reconhecer publicamente que maltratou uma criança de um orfanato quando era pároco.

O governo alemão quer aumentar o prazo de prescrição dos crimes de abuso e pedofilia.

Um dos surdos vítima de abuso sexual processa o papa em Wisconsin.

22 abr

O motivo da abertura de processo é o papa ter encoberto os abusos sexuais cometidos por um padre numa escola católica de Wisconsin, segundo a CNN.

No processo, pede-se que o Vaticano revele os nomes de milhares de padres contra os quais existem “alegações críveis de delito sexual”.

A suposta vítima, que agora é adulto, diz que foi molestado pelo Pe. Lawrence Murphy quando estudava na St. John´s School para Surdos, de acordo com a queixa registrada num tribunal de Wisconsin.

“O réu(a Santa Sé) sabia que o problema de abuso sexual de menores por padres se alastrava durante séculos, mas encobria os abusos e desta forma os perpetuava”.

Imunidade papal contestada no Reino Unido.

4 abr

Cresce o movimento contra a visita de Bento XVI ao Reino Unido em setembro, e alguns advogados colocam em cheque a imunidade papal por proteção a padres pedófilos.

Dez mil pessoas já participam de um abaixo-assinado contra a visita, que custará aos cofres britânicos US$25 milhões.

Os juizes ingleses têm se mostrado favoráveis ao princípio da “jurisdição universal”, que lhes permite emitir mandados de prisão contra qualquer visitante.

Os advogados se dividem sobre o Vaticano ser ou não ser um verdadeiro estado. Se nenhum outro líder religiosos goza de imunidade, por que o papa? perguntam alguns.

No Reino Unido, ao contrário dos Estados Unidos, os juizes têm tomado decisões contrárias a posições do executivo. Alguns advogados alegam que a pedofilia pode ser colocado no grupo de “violação e escravidão sexual”.

Geoffrey Robertson, que foi juiz em tribunais das Nações Unidas, declarou que “se os atos de abuso sexual por padres não são casos isolados nem esporádios mas parte de um costume geral conhecido e não punido pelos seus superiores de facto – a Igreja Católica – então os seus chefes são criminalmente responsáveis”.

O Vaticano como estado é uma criação em 1929 de Benito Mussolini, ditador fascista que colocou a Itália do lado da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Robertson acha “risível que um estado possa ser criado por uma declaração unilateral de um outro país”.

Ano passado, Tzipi Livni, político israelense que fora ministro das relações exteriores durante a invasão de Gaza em 2008-2009, cancelou sua viagem à Inglaterra porque um juiz emitiu ordem de prisão contra ele.

Mais no MSNBC.

Ele quer se encontrar com o papa… nos tribunais.

2 abr

Por vinte anos Jeff Anderson prepara-se para levar um papa aos tribunais, para responder por seus delitos nos casos de pedofilia. Ele já conseguiu tirar dezenas de milhões de dólares da IC em favor das vítimas, nos Estados Unidos. Só em 2002 foram US$60 milhões.

“Adoraria interrogar Bento XVI sob juramento no tribunal”, ele diz. Embora isso seja difícil, porque o representante de Cristo na terra é um chefe de estado, Anderson tem documentação suficiente para levar a justiça dentro do Vaticano.

Um dos documentos, que ele passou para o New York Times e gerou os artigos recentes, mostra que o Cardeal Ratzinger, obstruiu um processo canônico contra o padre de Wisconsin que violentou mais de 200 meninos surdos.

“Isso é a ponta do iceberg”, ele diz. Os outros documentos, ele espera, poderão gerar um processo à parte contra o Vaticano.

Durante sua luta contra os pedófilos, a filha adulta de Anderson lhe confessou que quando ela tinha 8 anos foi molestada por um terapista que frequentava em razão do divórcio de seus pais. O terapista era um ex-padre.

Ao enfrentar a dor dessa revelação “convenci-me que a pedofilia é endêmica da cultura clerical” e que “essa questão de trocar de lugar os padres problemáticos e encobrir suas transgressões chega no Vaticano”.

Anderson espera abrir um processo contra o Vaticano pelo caso de um padre que abusava de jovens na Irlanda e que foi transferido para o Oregon. Segundo ele, a transferência internacional de padres não pode ser feita sem a aprovação do Vaticano.

O Vaticano alega que leis internacionais que proibem a aplicação de leis americanas contra países estrangeiros, o protegem. O caso poderá ser julgado pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que ainda não decidiu se o analisará. Anderson acha difícil conseguir o seu intento, mas “nunca estive tão perto quanto agora”.

Jeff Anderson não é ateu, e sua trajetória religiosa já não inclui ida a nenhuma igreja, embora seu primeiro casamento tenha sido na IC.

O advogado Jeff Anderson

Aborto não pode…

29 mar

- "Santo Padre, esse padre que me violar". - "Pobre criança, deixe eu lhe proteger".- “Santo Padre, esse padre não para de me violar”.

- “Pobre criança, deixe eu lhe proteger”.

- “Perdoe-me porque pequei”.

- “Aqui a coisa não funciona bem assim, não”.

New York Times mostra em infográfico como o Vaticano acoberta pedófilos.

25 mar

A Igreja Católica acoberta criminosos de pedofilia sem a menor sem-cerimônia, conforme esse infográfico do New York Times:

http://www.nytimes.com/interactive/2010/03/25/world/europe/20100325-priestabuse-timeline.html?ref=europe

O Cardeal Ratzinger e sua camarilha negou durante muitos anos o pedido de alguns bispos americanos para que o Pe. Lawrence Murphy fosse destituído. Ele abusou de mais de 200 crianças surdas numa instituição católica de 1950 a 1974, no Wiscosin.

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