Mac Margolis é o correspondente da revista americana Newsweek para o Brasil há 21 anos.
Nesse artigo para o número mais recente da revista, Mac Margolis escreve que, ganhe quem ganhar a eleição para a presidência da república, os brasileiros querem que seja dada continuidade ao governo Lula: ”Os brasileiros não querem uma carta-compromisso apenas de Dilma Roussef, mas principalmente de José Serra, é dito no Brasil em tom de piada”.
Margolis refere-se acima à carta-compromisso escrita por Lula – “Carta ao Povo Brasileiro” – às vésperas da eleição de 2002, em que “apesar de meu passado de confrontação, comprometo-me a governar dentro das leis do livre mercado”.
“Roussef não pára de assegurar aos brasileiros que jogou fora as armas para seguir o caminho do centro, de Lula”, ele escreve.
Para Mac Margolis, “o clamor por continuidade é um sinal claro que o amadurecimento político chegou à América Latina”.
“Apesar de Hugo Chávez, e da intervenção demasiada do estado na economia na Argentina e na Bolívia, com controle de preços e gastos demagógicos, a América Latina virou-se notadamente para o centro. Tanto nos novos governos conservadores do Chile, da Colômbia e de Honduras, quanto no populista do Peru, e nos socializantes do Paraguai e do Uruguai, a tônica é a moderação”.
“Isso se deve ao Brasil, onde o compromisso de Lula de manter a inflação baixa, pagar as dívidas, e jogar dentro das regras do mercado, estabilizou a economia e supreendeu os céticos. Um dos gurus de mercados emergentes, Mark Mobius, declarou: “Ninguém jamais sonharia que Lula se comportaria dessa forma”".
“Embora Lula ultimamente tenha aumentado os gastos com o funcionalismo, e interferido na indústria do petróleo, ele se mantém fiel às suas políticas centristas. E é isso que os brasileiros esperam de quem venha a ser o próximo presidente. Aumentou o número dos que ascenderam à classe média, e agora os eleitores, acostumados à estabilidade econômica, prosperidade, e democracia, não tolerariam aventuras.”
E termina: “Uma eleição sem surpresas é tudo o que o Brasil – e a América Latina – quer”.
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