Cadeia alimentícia dos oceanos em crise, segundo o Spiegel.

30 jul

Houve uma queda de 40% na quantidade de fitoplancton nos oceanos, desde 1950.

O fitoplancton é a base da cadeia alimentícia dos mares, e seu desaparecimento tem repercussão na vida de todas as outras criaturas marítimas, segundo esse artigo do Spiegel.

O fitoplancton é comido pelo zooplancton, que por sua vez serve de alimento para peixes e crustáceos. Algumas vezes essa cadeia é muito curta: as baleias se alimentam de krills, que se alimentam de fitoplancton.

Cientistas ligam o desaparecimento do fitoplancton ao aquecimento da água dos oceanos, causado em parte pela atividade humana. Segundo Boris Worm, autor do estudo, o impacto se faz sentir em toda a cadeia alimentar marinha, porque o fenômeno é universal.

A medição é feita através de fotos de satélites e por um disco inventado no séc. XIX por um padre jesuíta, Pietro Angelo Secchi, que dá nome ao disco de Secchi.

Heinze-Dieter Franke, um cientista alemão do Instituto Biológico Helgoland, declarou-se amedrontado com os dados apresentados por Doris Worm: “espera-se um colapso da pesca marinha em 2050, mas isso poderá acontecer antes”. Para ele, a perda do alimento marítimo não é a única ameaça do aquecimento global: “há muito vem sendo constatada a diminuição de oxigênio no ar; isso poderá ser em consequência do desaparecimento do fitoplancton, que é responsável pela metade do oxigênio que o mundo vegetal produz”.

Uma baleia-tubarão coleta plancton com a boca aberta, nos mares das Filipinas.

Mais fotos aqui.

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4 Respostas para “Cadeia alimentícia dos oceanos em crise, segundo o Spiegel.”

  1. cesarbarroso agosto 1, 2010 às 11:18 pm #

    João,
    Qualquer custo valeria a pena para sairmos desta.
    Mas sou pessimista de que não estamos dispostos a pagar o preço. Estamos mal acostumados, somo bebês chorões, não queremos abrir mão de nossos privilégios. Mais do que ninguém os Bushes da vida sabem de nossos vícios. Bush sabia muito bem do que falava quando declarou: “A América é viciada em petróleo”. O que ele não disse é que ele é o “pusher”. O pai dele já havia dito: “O estilo de vida americano não está em jogo”. Em outras palavras: o primeiro mundo não abre mão da boa vida; quem quiser que se adapte.

  2. João Canali agosto 1, 2010 às 7:55 pm #

    Sou ortimista em relação a sairmos dessa e pessimista em relação aos custos de sairmos.

    Quanto a BP… Bem essa é mais uma traficante da droga petróleo. Enquanto não trocarmos de droga, por uma que seja mais eficiente e limpa, menos danosa a saúde do planeta e da humanidade, teremos que conviver com essa turma. O pior é que quando eles incentivam guerras e climas políticos que os favorecem, aí só mesmo mandando o BOPE subir na favela e detonar…

    Temos que ganhar tempo para essa troca ocorrer, essa visão em sí é um posicionamento político pós-ideológico. Temos que legalizar a energia. ;-)

  3. cesarbarroso agosto 1, 2010 às 4:10 pm #

    João,
    Dificilmente as queimadas na Amazônia pararão. Não há vontade política para isso, e há muitos políticos, inclusive o governador do Mato Grosso, que promove as queimadas em proveito de seus negócios de soja.
    Acho que essa questão cai naquela que já foi debatida aqui: vamos mesmo ser estorricados pelo calor, não teremos oxigênio suficiente para respirar, e depois seremos todos imprensados pelos gelos que virão dos polos.
    A ganância humana é muito maior do que a necessidade de se tratar esses assuntos com seriedade.
    Veja o caso da BP. A imprensa mundial deu o maior destaque ao fato de ela ter trocado de presidente. E daí? Ela tem que trocar, ou ser forçada a trocar, de comportamento. Lembou-me o caso do marido traído que jogou pela janela o sofá onde pegou a mulher com o amante.
    A inteligência humana é curta demais.

  4. João Canali agosto 1, 2010 às 2:43 pm #

    Quem se lembra do tempo que as pessoas se preocupavam com o desmatamento das florestas (principalmente a Amazônica, claro, a maior de todas no planeta) pela possibilidade disso acabar com a produção de oxigênio… Nunca saberei quem foi ou se era de conhecimento corrente somente entre cientistas, mas alguém furou o balão de todos os pré-ecologistas, digamos assim, informando que a maior parte do oxigênio terrestre era formada pelos plânctons dos oceanos. A informação vinha acompanhada da lembrança que somos, na verdade uma espécie de planeta água, devido a desproporção entre superfície coberta de água e aquela de terra firme.

    A impressão que tenho é que aquilo serviu de sinal verde para o desmatamento na Amazônia, pois, de lá para cá esta aumentou ou passou a ser melhor informada, um pouco das duas possivelmente…

    Caso essa nova informação que o planeta em aquecimento progressivo estaria matando plânctons for levada pela mídia mundial à evidência (Na verdade nunca sabemos direito quais as vontades a mídia, como um todo, está refletindo em determinado momento… é como que se tivéssemos que esperar o crime ocorrer primeiro para saber…) teremos novamente as atenções voltadas para o Brasil… Por que? Ora, se os plânctons são responsáveis pela maior parte da produção de oxigênio que respiramos e isto está sendo afetado de alguma forma, automaticamente, temos a valorização das outras fontes de produção de oxigênio. Isso ocorre com qualquer comoditie, mesmo as raras que são gratuitas.

    Não bastasse a questão do resfriamento dos ventos que passam por florestas, da maior emissão de calor de áreas desmatadas e da emissão de CO2 com as queimadas teríamos agora também – voltando a cena – a questão da produção de oxigênio.

    Todos sabemos que todas as guerras do Oriente Médio ocorrem por conta do petróleo e sua vital importância em manter as economias (e as vidas ligadas a ela) em funcionamento. Será que guerras na América Latina ocorrerão no futuro por conta do oxigênio que todos precisam mais do que o petróleo?

    Que os cientistas urugutangos (os gorilas eram militares e os chipanzés o Zé povão no Planeta dos Macacos), desenvolvam logo essas bactérias amestradas… essa é minha torcida no momento.

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