O público americano, com a desclassificação de seu time, voltou de novo as costas ao futebol. Ou melhor, como na fábula da raposa e as uvas, estão achando que “as uvas estão verdes”.
De uma hora para outra, sumiu o noticiário futebolístico nos principais jornais online, ou se escondeu nas páginas intermediárias. Somente os sites especializados em esportes, como o da ESPN ainda dão destaque.
A CNN perguntou ontem quem estava seguindo o torneio e quem estava simplesmente ignorando-o. Quase 85%(28 mil leitores) responderam que ignoravam. Bem, digo eu, o simples fato de responderem já mostra que não estão ignorando tanto assim…
Mas hoje o MSNBC, numa chamada intermediária, fala que pode estar se armando uma “festa sulamericana total” nas semifinais, com Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Já é alguma coisa.
Depois de muitas décadas, começam a dar o primeiro passo para quem quer aprender a jogar bola: reconhecer que o melhor futebol está “South of the border”. Com isso, espero, abrirão os olhos e perceberão que Beckman é apenas mais uma celebridade criada pela sociedade consumista.
De Cochabamba a São Raimundo Nonato, passando por Ananindeua, Rosário e Montevidéu, tem uma multidão de garotos que joga mais bola do que ele.
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Não querendo ser chato, e já sendo, é claro que em qualquer lugar do mundo é assim, alternando coisas legais com outras nada legais, aqui ou na China ou no Irã ou em Portugal, etc.
Preferências são preferências. Eu, por exemplo, prefiro ir ao “Video Clube” (agora se chama “DVD Clube”?) e escolher os filmes, ir à livraria e escolher os livros, e não alugá-los ou comprá-los na Internet. Creio que a obra completa do Bergman está disponível em DVD, e que já a vi toda (teria que checar a informação, e para isso a Internet serve: ver a listagem da obra completa do Bergman), mas o legal é ir à loja, conversar com as pessoas, trocar impressões, olhares, etc. Os estadunidenses foram à Lua (bem, há teorias da conspiração que dizem que não…), mas eu prefiro eu à praia (e muitos estadunidenses também).
Não sei se Faulkner, Steinbeck e Twain são guias confiáveis para conhecer os EUA, mas também não confio (ao menos inteiramente) na tal da Margareth Mitchell (que não li, só vi a adaaptação da “obra” para o cinema) de …E o Vento Levou, de forma que fico com os primeiros, mais Poe e Melville, isso para falar nos mais antigos, não esquecendo Bellow e Roth, mas modernos, porém descartando os mais modernosos, como Easton Ellis, e desconfiando de outros, como Pynchon.
Destacando que os estadunidenses adoram nos fazer pensar o mundo para eles, tentando nos fazer crer que eles são os guias da humanidade daqui para a frente e, logo, a melhor coisa que temos que fazer é pensar sobre eles e só neles, pois disso depende nosso próprio desenvolvimento. Acho que dá para andar com nossas próprias pernas, dialogando com eles, mas sem hierarquia. Só acho que é difícil fazê-los se interessar por um mundo onde o arroz com feijão é infinitamente mais importante do que o hamburger…
Marcos,
Os Estados Unidos têm muita porcaria e muita coisa boa.
Concordo com você que Hollywood só produz enlatados, ultimamente. No shopping perto de casa, tem 24 cinemas, e volto para casa sem ter o que assistir. Mas quando se vai à Broadway, é uma verdadeira loucura de ótimas peças teatrais.
Mas eles inventaram o Netflix, e me mandam pelo correio qualquer filme americano ou não, de qualquer década. Para dar um exemplo, acabo de assistir “Fanny e Alexander” de Ingmar Bergman. Recebi pelo correio, maravilhei-me, mandei de volta e vida que segue. Adoro viver aqui. Tantas coisa boas e práticas há por aqui.
Estão frustrados porque foram à lua mas não conseguem avançar numa Copa do Mundo. Os chineses, que ganharam muitas medalhas nas Olimpíadas, também não conseguem. Aliás, não conseguem nem chegar à Copa do Mundo. A Coréia do Norte conseguiu.
Quem explica?
Eh, dificilmente escapamos das generalizações, no entanto, se elas tiverem um espírito democrático, isso é, falarem da maioria, elas continuarão imprecisas, mas nos servirão como base de raciocínio.
Visto isso senhores… Vamos ao que interessa: Eu também tenho direito as minhas generalizações, intuições arriscadas e tecer conspirações possíveis… Vou iniciar a coisa com um título, uma manchete do meu jornalzinho de terrorismo psicológico:
FIFA Está com Gana de ver Gana nas Finais
Depois de terem censurado o repeteco (tira-teima) eletrônico que mostraria o impedimento do único gol espanhol (estão dizendo que foi de centímetros e eu estou descobrindo que essa historia de dizerem que a miopia retrocede com a idade está ocorrendo comigo, já que achei que era impedimento da primeira vez que vi o lance… e juro que não torcia por Portugal e não tinha visto os braços levantados de dois galegos que nem perderam seu tempo em continuar com a reclamação… “Oh pá, quem é que vai querer ficar a correr por mais meia hora se os gajos desta entidade maligna querem que a Espanha vença, ora pois?”) acredito que a FIFA é capaz de tudo para obter seus objetivos de marketing. Sendo assim, me perguntei o que seria desejável para a FIFA (que foi incapaz de se desculpar pelo gol anulado contra os EUA naquela partida contra a Eslovênia) e me dei conta que seria ter um país africano na final. Como Gana provavelmente estará em nosso caminho (claro que é minha bola de cristal que me diz isso… e ela generaliza pra caramba…)posso prever que o juiz poderá aprontar contra nós… O bom juiz ladrão possui muitos instrumentos para conduzir um resultado… Por exemplo: Na partida entre Portugal e Espanha ele permitiu que o Beckman português, o tal de Enrolaldo levasse bem umas três boas porradas, ora sem dar falta alguma ora sem mostrar o cartão amarelo ao toureiro espanhol… Quem é que não sabe que se ele ficar parado 3 meses por causa de alguma lesão deixará de ganhar milhões (literalmente) em contratos publicitários e outras fontes? Todo mundo sabe… Assim o galã deixa de exercer seu papel de líder de seu time e bota o galho dentro, prejudicando o desempenho da equipe… O que quero dizer é que existem diversas maneiras laterais de se conduzir um resultado, sem que o juiz tenha que apelar por permitir impedimentos, pênaltis e bolas dentro do gol que saiam pra fora, e outra lambanças que as câmaras pegam com facilidade.
Vocês acham que estou exagerando? Alguém não se lembra das máfias do apito que ocorreram na Europa (lá as apostas comem soltas, um mercado milionário…) e até no Brasil (por conta de apostas na Internet)? Por que vocês achariam que uma entidade como a FIFA que é capaz de censurar o vídeo que mostra um erro, não seria capaz de conduzir resultados de seu agrado de marketing???
Isso coloca todos os nossos 5 títulos sob dúvida (afinal o João Havelange é quem moldou a FIFA de hoje em dia, que a tirou do buraco financeiro e a deixou rica…) e nos dá uma baita desconfiança que somos uns otários que assistimos a uma grande farsa (Alguém duvida? Querem farsa maior do que as religiões!? E o mundo inteiro acredita nelas!) e ficamos torcendo feito umas crianças bobas, muitas vezes perdendo toda nossa objetividade com algo que não é mais um esporte a muito tempo.
Ok, todo mundo sabe que o Wrestling americano é de mentirinha e mesmo assim aquilo tem um tremendo público… No México os lutadores vão com suas mascaras para a África (acredite quem quiser), os personagens de telecatch ainda fazem tanto sucesso que um Verdugo mexicano anda de máscaras pelas ruas… e ninguém chama o pinel, uma palhaçada institucionalizada… Que… que é isso? Que mundo é esse que vivemos?
Pronto… Terminei minha generalização conspiracionista de hoje.
Bom, a princípio um conhecimento total sobre QUALQUER COISA é impossível; tudo é condicionado pelas possibilidades e limites acerca do existente e a forma de abordá-lo cientificamente. No que se refere ao conhecimento social, então, qualquer “solução final” é equivocada, inclusive a nazista. Assim, em termos sociais, mesmo os “cientistas sociais” tecem mesmo são generalizações, manipulando margens de erro em pesquisas que não representam a exatidão sobre determinada questão ou fenômeno social, articulando conceitos sobre dados colhidos em determinado momento, que pode ter passado e ficado obsoleto tão logo os enunciados tornaram-se conceitos.
Não conheço, por exemplo, todo o Brasil, que é grande demais e repleto de culturas, línguas e linguagens diferentes. Sou obrigado a falar do Brasil desde aqui, do Rio de Janeiro, considerando pequenas temporadas de fperias aqui e ali. Assim, posso falar tanto doBrasil como de qualquer lugar que tenha experimentado da mesma forma, em pequenas viagens lá e acolá, agregando informações de caráter literário ou teórico.
Posso, então, falar tanto dos EUA (e mal) quanto, por exemplo, do filme Avatar, talvez ainda menos do filme, porque dele só conheço o que li, pois não saio de casa para ver esse tipo de coisa. O não vi e não gostei, reconheça-se ou não, quase sempre funciona, e é bem melhor do que você se obrigar a ver algo que de antemão sabe que não gostará e, oh, não se surpreende ao ver por obrigação e perceber que a coisa era ainda pior do que havia pensado.
Quer dizer, pode ficar tranquilo que eu nunca irei mesmo ao Texas.
Marcos,
Pela segunda vez acho que você generaliza demais e conhece muito pouco os Estados Unidos.
Acho natural que um povo que lidera em tantas coisas, também queira liderar no futebol. Já falei inúmeras vezes aos meus amigos americanos, que o futebol é muito diferente de outros esportes, e que há lições a serem aprendidas pelos que querem avançar numa Copa do Mundo, sendo a primeira a humildade, que o Brasil aprendeu na derrota para o Uruguai em 1950.
Mas, por outro lado, somos todos os países iguais, porque somos humanos, no fato de nos interessarem mais aquelas atividades nas quais somos melhores. No mundo artístico acontece o mesmo. Um fotógrafo que tem melhores resultados em preto e branco, acha o preto e branco melhor do que o colorido.
Assim caminha a humanidade…
Quando eles começarem a sofrer derrotas acachapantes no basquete, mesmo ele perderá o interesse…
Bem, já discuti isso antes. Apenas a ida à final interessaria aos moradores dos EUA que não são latinos, italianos, imigrantes recentes no geral. Os waspers vivem das margens do país para dentro, e só deixarão de ser assim quando não existirem mais, o que, aliás, projeta-se para breve… A própria eleição de Obama é um indício da “minoritização” daqueles que, enquanto puderam, bancaram um verdadeiro apartheid em suas fronteiras, e ainda o fazem em estados como o Texas.
Falar em Obama, imagine se não fosse ele, por exemplo, fosse o Lula, que levasse o russo para comer hambúrger, ou um churrasquinho de gato, numa “esquina” (onde?) qualquer de Brasília… Ou a Merkel bancasse uma salsicha para ele num quiosque de Munique… Eu mesmo, longe disso, não achei nada demais. Só um pouco de menos.