Posted by: cesarbarroso on: November 11, 2009
Um "cara pobre" de camarão.
Quem vai a Nova Orleans tem que experimentar um po´boy(poor-boy), um tipo de sanduíche que foi inventado durante a Grande Depressão.
Este ano, no dia 22 de novembro, haverá um Festival do Po´Boy, com bandas de jazz, conferências e muita bebida, como não poderia deixar de ser numa cidade com raízes francesas e crioulas. Como em toda manifestação cultural humana, há puristas que defendem as receitas originais, e os modernos.
O sanduíche tem um pão especial, inventado por um casal de italianos(os Gendusa) – clique aqui para uma série de fotos – cujos descendentes mantêm o forno aceso. Tem po´boy de muita coisa: roast-beef, batata frita, camarão empanado, ostras fritas, patê, carne de porco, etc. e etc.

O po-boy às vezes me lembra o “X-tudo” das lanchonetes e carrocinhas brasileiras.
O nome tem origem numa greve de motorneiros de bondes, em 1929, em que um Sr. Martini, dono de uma lanchonete, que já havia sido motorneiro, alimentava de graça seus ex-colegas com sanduíches: “Lá vem outro cara pobre”, diziam seus filhos.
Clique aqui para a história completa do New York Times.
O brasileiro que vai a Nova Orleans terá a oportunidade de conhecer uma cozinha rica e variada. O Leia Junto teve um artigo sobre o “gumbo” que recomendo a quem ainda não leu, com 18 comentários interessantes, inclusive uma polêmica.

Um descendente dos Gendusa faz o pão.
Outro dia num show de jazz aqui em BH, conheci um casal que me contou muitas estórias sobre N.O. Espero conhecê-la um dia e ficar bastante tempo, e fazer muitas fotos para o meu flickr…
Esse sanduiche é um horror!
Argh!!!
Cesar, me diga uma comida que você não goste. Todos nós temos uma aversão qualquer… Nunca ouvi a sua lista. Desconfio que não tenhas. Depois dessa de você dizer que gosta de Jiló, logo depois do Marcos confessar… De uma só vez conhecer duas criaturas que conseguem gostar de Jiló, é dose dupla.
Aliás a minha lista de aversões é longa:
Beringela (até porque, na maioria das vezes, a servem com alho crú… arrotaria dois dias…)
Alho crú em nenhuma circunstância… Aliás a muitos estragam as carnes esfregando alho cru em excesso… só se for ao forno até esturricar… Um assassinato de bife com esfregação de alho crú como tempero é muito comum e bem popular, para meu desespero… O certo, como no frango a passarinho que adoro – diga-se de passagem – ou qualquer coisa à alho e óleo é fritar levemente/dourar o alho e depois jogar em cima (tirar aquela goma que rouba o gosto das comidas e provoca gases) ou misturar no molho… Tenho um mundo de implicâncias com o alho mal preparado ou usado em excesso… Aquele pó de alho tipo Arisco, aquilo é um crime contra o paladar… Os americanos acham que temperar é jogar o raio desse pó… Ou insôsso sem gosto de nada, a lá inglesa, ou tudo com gosto de pó de alho…
Os dois cheirosos: Fígado e Dobradinha. Que cheirinho gostoso, que abre qualquer apetite, mas na hora que o dente entra… Fora o aspecto asqueroso do bucho a testura da coisa é roc-roc… O fígado tem gosto de prego enferrujado… Sim eu já provei prego enferrujado… vocês nunca viram ninguém brincando de construir alguma coisa e se meteu a guardar os pregos na boca para facilitar… Não sou um nojento… cheio de nove horas, dou como exemplo que adoro língua de boi, um dos meus pratos preferidos, sempre tão difícil de encontrar…
Batata doce… Uma batata que estragaram… Não encontro outra definição.
O sem gosto… Xuxú. Alguém pode me informar que gosto tem o xuxú? Aquilo é água pura que quando quente queima a boca. E sempre tem alguém para vir com o mito que ele absorve o tempero. Claro que eu como um camarão com xuxú, fico acreditando que é para render o camarão, que sempre é em menor quantidade que o verdinho…
Já disse, não me considero um nojento, adoro ostras e mexilhões defumados, espanhois de perferência… mas qualquer outra lesma tô fora… Na China vi a lesma mais gigantesca e asquerosa saida de uma concha varias vezes menor… argh, não gosto nem de lembrar… Na feijoada não me incomodo em saber que tentaram dar o gosto com o pé, pata e orelha do porco (quando bastaria o toicinho, a carne sêca e o paio…). Não ligo que fiquem dentro da mesma tigela de barro de onde me sirvo, mas vou com a concha da colher voltada para cima para não correr o risco de puxar aquilo… Mas e o toicinho (baicon) em um cozido português, aquele branquinho gorduroso tinha tudo para ser evitado, no entanto adoro-o, nem sei explicar… Agora aquele joelho de porco alemão, nem pensar…
Na verdade, o que eu acho mesmo é que fritando, tudo desse… Não como pele de galinha se estiver cozida, mas adoro quando frita, peixe cozido (peixada brasileira) com escamas de maneira alguma… mas se for frito, mando inteiro…
Agora eu me absolvo de minhas aversões pensando no meu cunhado que não gosta de queijo… Quando penso na quantidade de comidas e guluseimas que ele fica de fora… Comer os espaguetes e macarronadas da vida sem um bom queijo parmezon… ou um amigo meu que tem um asco único: cebola cozida… Quantas vezes não o ví catar no arroz branco pedaços de cebola cozida… Pedia ao garçon arroz sem cebola… Claro que nenhum restaurante teria isso só para ele… O resultado era ele encontrar o pedacinho de cebola e ingenuamente mandar trocar o prato… Claro que conheceu sem saber muita saliva de garçon… aliás essa é minha maior aversão, nunca mandei devolver um prato na minha vida. Ou peço outro ou não como… reclamar e pedir para trocar jamais…
Canali
No passado eu não suportava era o alho. Achava indigesto. Depois, sentido os cheiros vindos da cozinha, o experimentei dourado ao óleo, e passei a gostar, com qualquer prato que combine, tais como um simples arroz branco ou no feijão. Como não gostar de espaguete ao alho e óleo?
Pois foi isso que falei Luiz. A redenção do alho é ser dourado antes de qualquer contato com a comida. O problema, segundo meu paladar é esfregar o alho cru nas carnes, isso acaba com o sabor delas (além de, no meu caso, gerar um arroto contínuo). Aprendi em algum lugar que é aquela goma úmida em torno do alho crú que tem que ser quebrada na base da fritura. Aliás, qualquer tempero (por exemplo o loro no feijão, tem gente que faz feijoada de loro… aquilo toma o gosto de tudo) que toma o gosto de todos os elementos do prato deveria ser evitado. Isso é expediente de falsificação. Exemplo conhecido é o raio do pepino em conserva, o picles que cismam em colocar nos sanduiches servidos nos EUA. Segundo as palavras de alguém que entendia de comida inventaram essa coisa quando passaram a adotar bifes de hamburguer com grande mistura de carne de soja e outros conservantes, enfim quando industrializaram os hamburguers para a grande saida que começaram a ter nas fast foods americanas… O bife de hamburger ficou totalmente sem sabor, então enfiaram um elemento que tomava o gosto de tudo… Na verdade o que se come nos MacDonalds da vida é um sanduiche de picles de pepino, só se sente o gosto deste… o bife de hamburguer , o bacon, o queijo, o alface são meros elementos da paisagem, para você imaginar o paladar.
Cesar, depois que você confessou que come de tudo, você ficou suspeito para indicar pratos… Palavra do netinho…
Aliás a Beth deixou claro que a foto desse sanduiche com batata frita dentro (só mesmo nos USA) condena a culinária de New Orleans inteira.
Agora, descobrir o gosto do chuchu é mais difícil que descobrir porque não pouparam tinta e hoje bandwidht e não escreveram a coisa com “x” ao invés de “ch”. Agora eu não disse que não gostava do chuchu com camarão, seria o mesmo que dizer que não gosto de camarão, o único gosto que se sente nesse prato…
esse cara, manipulando alimentos com essa barba iraniana na cara, sem luva sem toca.
no minimo deveria estar usando mascará, luva, toca e um protetor nos braços para não cair pelos no alimento.
crusessssss
November 11, 2009 at 2:32 pm
Não sou muito chegado a sanduíches por razão simples: o pão. Não gosto de pão na refeição, o que é mera idiossincrasia, o mundo inteiro come com pão à mesa com múltiplos usos, mas não gosto de sentir o peso que o pão dá depois misturado à comida, ao vinho ou, ocasionalmente, à cerveja – quase nunca almoço ou janto com sucos, refrigerantes ou apenas água, e muito menos sem beber alguma coisa, o que seria melhor pra saúde, dizem, mas…
Sugestão carioca é o Jiló à moda do Claude no Aconchego Carioca, que fica na Praça da Bandeira. Trata-se de jiló grelhado em fatias bem finas, sobre as quais se pingam gotas de vinagre balsâmico misturado a pimentinhas rosas em grão e alecrim, com acompanhamento de queijo de cabra no azeite (e também umas pimentinhas rosas). Ótimo para acompanhar uma cerveja belga.