Posted by: cesarbarroso on: October 16, 2009
O Gov. Bob Jindal pediu a demissão de Keith Bardwell por se recusar a casar Beth Humphrey, de 30 anos, e seu namorado Terence McKay, de 32 anos, segundo a CNN.
“Isso é uma violação clara dos direitos constitucionais e das leis federais e estaduais… Uma ação disciplinar precisa ser tomada imediatamente”, disse o governador.
Juntou-se a ele a Sen. Mary Landrieu, que pediu ao Comitê Judiciário Estadual que “use sua autoridade para destituir o Juiz de Paz Keith Bardwell de sua posição”.
Bardwell declarou a um jornal local que sua preocupação “era com os filhos… e que muitas dessas relações não duram muito”. Ele defendeu-se de ser racista, mas que se preocupava com os filhos que nasceriam da relação.
A noiva declarou que “ele disse que não é racista, mas é racista.”
Outro juiz casou Beth e Terence no dia 9 passado.
Em 1967, a Suprema Corte rejeitou qualquer limitação de casamento baseado em raça ou cor: “Sob nossa Constituição, a liberdade de contrair matrimônio, ou não, com uma pessoa de outra raça reside no indivíduo e não pode ser infrigida pelo estado.”

Beth Humphrey e Terence McKay.
foi tão estranha a explicação do juiz, uma pessoa dessa não deveria ném ser juiz.
Caetano, juiz de paz, um que faz casamentos… imagine… aqui nos EUA não tem o mesmo valor social, educacional e jurídico de um juiz de corte… nem no Brasil… acho que em nenhuma parte do mundo… Meu filho, que fez um cursinho de notário público (equivalente a um tabelião autônomo sem cartório, essa absurdidade que não existe por aqui) para facilitar sua vida no escritório onde trabalhava, pode não só autenticar assinaturas como, segundo me disse, realizar casamentos também. Se bobear esse juiz de paz fez um cursinho equivalente para ser chamado de juiz.
Aliás, a bem da verdade, a cerimônia de casamento, o rito legal, já poderia, se é que já não está, sendo feito online para quem fizesse questão disso… A abertura de uma firma, que carrega uma burocracia muito mais importante e complexa que a formalidade legal do casamento (veja bem, não falo da importância da instituição do casamento, da parceria romântica, da formação de um núcleo familiar, da decisão de viver ao lado de uma pessoa a qual se ama e que nos ajudará a criar nossa descendência… isso é outra coisa totalmente distinta) pode ser feita online há muito tempo aqui nos EUA… por que não o casamento também?
De qualquer forma, o certo é ir morar junto e mandar um email circular para os amigos. Isso é amor, o resto é desconfiar que não vai dar certo… Não entendo como alguém poderia ir morar junto com outra pessoa tendo dúvidas que possa não dar certo? Se há dúvidas não há amizade, tesão e paixão, componentes da batida de amor aqual, em tese, devemos buscar para sermos felizes. Até porque existem leis que podem eventualmente garantir direitos que foram violados durante aquela união. O fato é que casamentos não deveriam mais ser objeto de um pensamento pecuniário, mais um atraso cultural que deveriamos nos livrar.
Mas, que a noiva se parece com aquela repórter da Globo, acho que chamada Sônia Bridi, isto parece!!!
O racismo manifesta-se de várias formas pelo mundo afora.
Aqui no Brasil o estabelecimento de quotas para afrodescendentes em universidades é uma forma disfarçada de racismo. Uma afronta a Constituição Federal! Esse critério indica que os morenos, afrodescendentes e mulatos, aliás aqui no Brasil não temos raça, somos multirraciais, produto de nossa formação de negros, índios, europeus e gente de todo o mundo, não possuem capacidade ou o mínimo de inteligência para ingressar numa universidade. Por outro lado, os mestiços mais clarinhos, descendentes de europeus, cruzados com negros ou com índios são tidos como excluídos. A coisa funciona assim: Se um moreno-claro tirar média 8 na média final de um vestibular e um moreno-escuro ou brozeado, que se declarou afrodescende ober a nota 5, este ganhará a vaga e aquele ficará de fora.
É uma brincadeira de mal gosto que tende a dividir os brasileiros, todos queimados por um sol tropical causticante.
Desidério
Muito bem colocado.
E tem mais, o sistema de cotas estabeleceu uma nova relação entre os alunos de todas as cores.
Como professora da Universidade Federal há 3 décadas, eu pude perceber claramente como as cotas estão funcionando.
Antes, o aluno de qualquer origem racial era visto como um colega que chegou lá pelo próprio esforço. Hoje existe uma visível desconfiança entre eles…
Juizinho mais estúpido…já foi tarde. Fui casada com negro. Tenho 3 filhos maravilhosos dessa união. A mistura é que dá tempero. Quanto a discutir se algum dia vamos acabar com o racismo, com o preconceito, é o mesmo que discutir se um dia a estupidez vai ser abandonada pelo bicho homem. Acho que ainda somos muito animalescos. Alguns com um pouco de verniz e se esforçando muito para ser um pouco inteligente conseguem se desprender destas bobeiras. Somos literalmente todos iguais. A ciência já provou que é só uma questão de melanina, mas vai meter isso na cabeça de idiotas!!! parece que a tecnologia anda cada vez mais rápida e nós continuamos tão atrasados quanto no tempo das cruzadas.
Cesar
O sistema de cotas é racismo ao contrário…
Abs.
Eu não questiono a intensão Cesar, também me parece justo uma compensassão, não por algum sentimento de culpa do que idiotas ancestrais ou não fizeram no passado, mas como uma tentativa de dar mais chances a competidores sociais que foram nitidamente prejudicados e que se não tiverem essa chance vão continuar sendo um problema social, como eu igualmente seria no lugar deles.
Contudo, a maneira que encontraram de tentar essa compensassão trás mais atritos do que harmonia, faz surgir um sentimento de ambos os lados que é negativo… e isso sem concertar o problema, a intenção fica só nela, como aliás muita coisa no Brasil…
O jovem negro é lembrado que de alguma forma foi sabotado… de repente ele nem mais sentia essa sabotagem em um país de mulatos… Brancos (ou que se sentem assim) pobres, igualmente sem oportunidades se sentem discriminados. O pessoal que sempre não entendeu direito a questão de gostar do cara que lhe assalta ou que não pertence a seu grupo, arruma pretextos…
Fico pensando se não era o caso de ser a ferida que se deixa cicatrizar sózinha por ser inoperável… e no caso brasileiro a cicatriz é praticamente invisível, o preconceito é mais contra pobres (não querendo negar que o racial também exista, mesmo que a nivel estético ou velado…) Mas, será que ele não acabaria sozinho, sem ter que dar um remédio cheio de efeitos colaterais que não apresentou resultados em outros lugares? Aqui, você sabe, o que adiantou foi dar cotas de empregos em órgão públicos… isso funcionou… Nas universidades, não há dados públicos a respeito, ninguém gostava… mas ter dado certo por aqui não significa que daria no quadro brasileiro, aqui praticamente não há mulatos… são hispanicos…
Acho que seria mais inteligente dar as cotas por classes sociais. Se é verdade que os negros são os mais desfavorecidos (não discordo disso um minuto) eles seriam os mais beneficiados, pois são os mais pobres. A coisa do jeito que é foi posta como pagamento de dívida, como vingança, indenização. Ainda por cima criando uma grande iniquidade que é preterir alunos por uma questão racial, o que é tecnicamente racismo também… fico imaginando a raiva que sentiria se aos 18 anos tivesse sido preterido do ingresso na universidade em função da minha cor azul… isso porque a 300 anos atrás um portuga (que um padre disse para ele que os negros não eram humanos porque não acreditavam em Cristo) comprou de um africano que morava a beira mar um crioulo do interior que ele capturou (como já fazia a séculos) e aí levou-o para revender para outro portuga que plantava coisas naquela colônia selvagem que o Tratado de Tordesilhas assinado pelo papa lhes propiciou…
Outra que inviabiliza a coisa é a definição de quem é negro o suficiente para receber vantagens nas notas. Em um país como o Brasil? Quantos de você nunca viram um mulato (só ele que não se dá conta) falando mal de negros no Brasil. Se você chamar na chinxa um cara desses (como eu já chamei) ele vai vir com a ignorância que é uma questão de dosagem de cor… Enfim, faz aparecer um monstro social que sempre foi adormecido no Brasil… Pode ser por aí que você fala Cesar… um jeito do povo deixar de ser carneiro e aceitar o secular furto público… incutir o ódio racial… combatendo fogo com fogo…
Em qualquer caso, através de cotas raciais ou sociais, quem sai perdendo é a qualidade de ensino e posteriormente de profissionais daquela geração… já que tem que haver uma seleção e essa não é puramente educacional, dessa ninguém escapa.
Mas concordo com a intensão de se tentar fazer alguma coisa, não necessariamente essa.
Cesar e João
Eu sou contra cota RACIAL. Mas não tenho nada contra ajuda social. Os meus monitores na UF sempre foram escolhidos através de dois fatores: o intelectual e o social. Após a seleção intelectual (necessária!) a contratação é feita pela renda do aluno, dando sempre preferência ao mais carente. Já tive aluno/monitor paupérrimo que hoje é profissional com reconhecimento internacional. Além disso, e há muitos anos, existem bolsas especiais para os alunos carentes da UF.
Quanto à cota simplesmente RACIAL, ou seja o aluno se valer de uma pele mais escura para obter uma vantagem sobre os demais eu continuo sendo contra. Ainda mais no Brasil onde a mistura racial é dominante.
Aliás, do jeito que as coisas estão indo por aqui a situação está começando a ficar ridícula! Já tem cota racial obrigatória até para modelo de passarela em desfile de moda… Se a moda pega daqui a pouco vai haver cota para descendente de japonês, árabe etc. E os mais “clarinhos” vão começar a ser olhados com desconfiança…
Não é por aí!
Cesar e João
cont.
Os monitores dos professores da UFederal são remunerados. Eu sempre tive 3. Suas atividades são orientadas pelo professor e sem prejuízo dos seus horários escolares. Além do mais eles desenvolvem atividade de pesquisa obrigatòria, assinada por ELES! Todos os meus ex-monitores se tornaram excelentes profissionais independente da raça. E todos foram alunos carentes. Um deles, orfão de pai e mãe está bombando por aí no momento…
Cesar
O assunto é muito mais complicado do que parece…
Eu pessoalmente não sabia o quanto o nosso aluno podia ser carente. Após a seleção feita pela reitoria competente vem a realidade: o aluno monitor é bem mais carente do que se imaginava. Muitas vezes me perguntei como esse aluno teria chegado na minha sala de aula! E pior, os mais carentes são os aparentemente “brancos”! Os de origem africana costumam ter uma situação social mais razoável… E namoram e casam apenas com moças aparentemente “brancas”. Já as alunas de origem africana namoram e casam com semelhantes não alunos.
E por aí vai, a situação não é fácil.
A única solução que vejo para o assunto é uma educação básica mais consistente, que venha a beneficiar todos de forma igual. Não é a “cota” universitária que vai resolver o nosso problema.
Abs.
Cesar
As cotas são para facilitar a entrada dos “não brancos” na U.F. Elas não resolvem o problema dos alunos carentes de qualquer tonalidade de pele.
O buraco é mais embaixo…
Abs.
Cesar
As “cotas raciais” foram instituídas por digentes alieníginas com motivos demagógicos e/ou inspiração ideológica. Não representam nenhum avanço para solucionar problemas de inclusão social. E após muitos debates na comunidade acadêmica estão sendo substituídas por medidas que venham a promover oportunidades a partir de critérios sócio-econômicos e não raciais.
Abs.
Cesar
Parece que finalmente chegamos num acordo…
Abs.
October 17, 2009 at 3:56 pm
Esse fato isolado tanto pode servir para indicar a ponta de um iceberg ou uma garrafinha que teima em não afundar no vasto oceano onde flutua. Pode indicar o quanto ainda é grande a presença do racismo na sociedade americana ou a quanto o racismo foi reduzido, afinal falamos de um desconhecido de um insignificante estado americano que teve sua louca ignorância ampliada por uma midia que hoje é global. Olhos pessimistas ou otimistas, olhos rescentidos e vingativos ou olhos condescendentes e compreesivos com a realidade decidirão se isto é um iceberg ou uma garrafinha solitária. Bom, temos a alternativa de descobrir que é um iceberg, mas que ele já derreteu bastante, não ameaça mais o casco de grandes embarcações ou que se é apenas uma garrafinha nos lembrarmos que garrafinhas podem durar dezenas de anos flutuando em alto mar, sempre haverá alguém que pense diferente, certo ou errado, nem o tempo as vezes dirá.
A propósito do tema racismo e o fator tempo das crenças, o último número da Smithsonian Magazine trás a historia de John Brown, que esse mês, a precisamente 150 anos atrás ficou conhecido por liderar uma turba, um verdadeiro exército de Brancaleone de 19 pessoas brancos e negros, que tomou de assalto uma cidadezinha do estado de Virginia. Brown era um abolucionista branco radical, hoje seria chamado de terrorista por mais que sua causa – hoje sabemos – fosse absolutamente justa… Vejam que assunto delicado de ser tratado! Ele empregava meios violentos de forma consciênte e estratégica, apesar de ser descrito como uma pessoa rude sem uma formação educacional superior, acreditava que se as atividades econômicas ligadas a escravatura fossem constantemente atacadas elas perderiam o valor de mercado… enfraquecendo a atividade econômica em torno da escravatura, essa deixaria de ter poder político (vamos atacar os postos de gasolina!!! poderia alguém hoje dizer… querendo salvar o mundo do aquecimento global e do poder político das grandes companhias de petróleo…). O ataque de John Brown àquela cidade entrou para a história, pois naquele momento decidia-se quem seria o próximo presidente americano… Apesar de não haver uma cobertura cost to cost via CNN o fato chamou atenção nacional para o radicalismo que a questão entre abolicionistas e escravagistas atingia. Abrahan Lincoln, que ganhou de forma apertadíssima a indicação para a presidência do partido democrata, segundo os historiadores, poderia não ter ganho a eleição se não fosse a ação ocasionada por John Brown!!! Como todos sabem, 11 estados sulistas fizeram um levante com a vitória de Lincoln, o que fêz iniciar a Guerra Civil americana que redundou no fim da escravatura (mas não do racismo… cuja última batalha, com sorte, aconteceu ano passado…). Como a historia deve tratar John Brown? Como Herói de uma causa justa ou como um terrorista bem intencionado? Sinistramente lembrando que ele era uma garrafinha… calma… ou seria a ponta do iceberg que afundaria o poderoso couraçado escravagista?