Posted by: cesarbarroso on: November 29, 2008
Quem conhece os problemas da região aponta para os grupos Lashkar-e-Taiba e Jaish-e-Muhammad, ambos do Paquistão, como os responsáveis pelos ataques, escreve hoje no New York Times o articulista Nicholas Kristof.
O fato desses dois grupos serem paquistaneses impele os nacionalistas indianos a quererem uma confrontação com seu vizinho. Essa reação inflama reação contrária nos nacionalistas paquistaneses.
Os dois países têm armas nucleares e uma população conjunta de 1,2 milhões. Mesmo que não haja um confronto direto, veríamos mais ataques terroristas em ambos os países, caso os nacionalistas prevaleçam. O Paquistão também sofreu recentemente, no Hotel Marriot de Islamabad, um atentado terrorista com muitos mortos.
Para impedir que o caso evolua em hostilidades, o Paquistão tem que tomar atitudes responsáveis. É sabido que o governo paquistanês e seu serviço de inteligência (o SIS) têm relações de longa data com esses dois grupos terroristas (ver “O Abacaxi Paquistanês“, em Leia Junto). Por pressão de Washington, foram tomadas atitudes para conter os dois grupos, mas nada mais forte no sentido de exterminá-los.
Nicholas Kristof escreve que ouviu em sua recente viagem ao Paquistão que o Presidente Asif Ali Zardari tem permitido a infiltração de militantes na Caxemira. Não se sabe se para pôr pressão sobre a Índia, ou se como uma válvula de escape para seus problemas internos. Há uma forte corrente de opinião no Paquistão de que é melhor direcionar os radicais para a Índia, para que não hajam no seu país.
O articulista acha que não houve dolo da parte do Paquistão nos ataques de Bombaim, mas omissão. Os paquistaneses precisam ser mais sérios para evitar infiltrações na Índia, e têm condições de acabar com o Lashkar-e-Taiba e o Jaish-e-Muhammad.
Portanto, o Paquistão não é totalmente culpado, e nem totalmente inocente.
O mesmo se aplica à Índia, que persegue os muçulmanos no Gujarat e viola os direitos humanos na Caxemira, provocando a ira dos dois grupos radicais. São frequentes os casos de estupro e tortura. A Índia também é acusada de ter sido lenta em responder aos apelos de paz do General Musharraf.
Neese momento os indianos enfurecidos querem reagir à maneira Dick Cheney, que não funcionou para os Estados Unidos e não funcionará para eles.
A última coisa que os indianos moderados querem é uma fronteira ocidental com o Talibã, que está logo ali do lado, no Afeganistão. Eles querem um Paquistão calmo, menos militante e economicamente mais vibrante.
Necessita haver mais transações econômicas e turismo entre os dois países. Em 2004, um grupo de 4 mil indianos foi ao Paquistão assistir a uma competição esportiva. Foram recebidos com festa. Raramente pagaram contas. Os paquistaneses queriam lhes demonstrar amizade.
A Índia também não precisa entregar a Caxemira, que é de população predominantemente muçulmana, ao Paquistão. Precisa, isso sim, é governar a sua parte com equanimidade e transparência.
Nicholas Kristoff termina sua coluna com votos que os grupos nacionalistas não prevaleçam, o que provocaria nova guerra e mais ataques terroristas. Pede à forte comunidade de negócios de Índia que exija moderação e enfrente aos nacionalistas.
Mapa da Caxemira, com a Índia ao sul, e o Paquistão a oeste.
O planeta é grande o bastante para todos.
Impor ou expor suas posições político étnicas religiosas através do terror, não é correto nem justo.
Cada habitante desse planeta, deveria ser livre para escolher seu próprio caminho, deveria optar por viver, onde o grupo como um todo compactuasse com seus princípios e lá pudesse cultivar seus ideais, deveria também respeitar as diversidades e fronteiras vizinhas.
Utopias a parte, países do bem, através dos seus departamentos de inteligências, devem combater sem tréguas, e banir de seus países, “prioridade absoluta”, tais grupos terroristas.
Fogo se combate com fogo.
Combater grupos terroristas com violência “linguagem que eles entendem”, não é alimentar o terror e sim defender a soberania de uma nação.
Não podemos é continuar assistindo pessoas inocentes serem mortas de surpresa por estes bandidos travestidos de terroristas, defensores de uma causa que só ao grupo deles interessa.
Tem que se acelerar o reconhecimento de Chachimir como territorio independente !
November 30, 2008 at 1:47 am
O que fica evidenciado é que o Paquistão não consegue controlar diversos grupos de muçulmanos radicais que atuam em seu território, sendo que o caso mais notório não são esses que lutam pela anexação/independência da Caxemira, a noroeste, na fronteira com o Afaganistão tem a tribo dos pastuns que assintosamente dão gobertura a Talibans e elementos que seriam do mitológico Al Qaeda (acredito que esses tenham um grau de manipulação ainda totalmente não esclarecido, acredito mais ser uma espécie de franchise do terror do que outra coisa qualquer… enfim… Bush precisava de um espantalho…)
Como dei a entender em meu último post, essa evidenciação de que o Paquistão não consegue controlar os grupos de terroristas que usam o país de base para seus ataques vai gerar uma pressão internacional necessária para que o Paquistão admita incurssões das tropas aliadas em sua fronteira noroeste… Até para que ele possa concentrar-se em sua fronteira leste. Resumindo, o bombardeio de aldeias pastuns quando houver perseguissão de elementos talibans que fujam para aquela região (com bombardeio os locais começam a não permitir que os eterroristas/guerrilheiros lá se escondam ou tenham abrigo, cruel assim…). Coisa que nem os russos conseguiram no tempo que eram combatidos pelos mujahedins de Bin Laden (no tempo que esse era municiado pela CIA dirigida por Bush pai) e que é a chave do desmantelamento do crônico foco de radicalismo islâmico em toda aquela região, pois ali é o local do “Pique 123″… Quem se lembra?
Quem poucos meses atrás falava em usar a inteligência ao invés da força bruta e do deficit… engraçado como as coisas se encaixam.
De qualquer forma, esse ataque de agora fosse um mês atrás custaria no mínimo alguns delegados… Sempre haveria paronoicos e sado-masoquistas prontos para justificar a war on terror…
A escolha desse momento de calmaria pós eleição americana para o ataque indica uma vontade de chamar a atenção para a causa deles, portanto deve ter sido o inicio de uma campanha, de fato, mais deve estar vindo por aí…