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Obama não estará fazendo escolhas arriscadas?

Posted by: cesarbarroso on: November 19, 2008

Quem faz esta pergunta é Steve Clemons em artigo no CNN.com.

As escolhas podem ser arriscadas, mas também podem ser brilhantes. Vamos à argumentação de Clemons:

Se a presença de Hillary Clinton no governo se constituir em fator de brigas e desentendimentos, será porque Obama está confuso, iludido, auto-destrutivo ou deixou a presidência lhe subir à cabeça.

Caso contrário, a escolha é brilhante, brilhante, brilhante.

O mesmo se aplica à escolha do encrenqueiro Rahm Emanuel, da manutenção do desleal Joe Lieberman, e da possivel continuação do bushista Robert Gates no Ministério da Defesa.

Mas o maior dilema é Hillary Clinton.

Obama poderá estar imitando o que George Bush fez com Colin Powell, seu principal rival dentro do Partido Republicano. Neutralizou-o fazendo-o Secretário de Estado, ao mesmo tempo que utilizava sua sagacidade militar.

Hillary ficaria satisfeita com o cargo, teria um lugar na História, e seria neutralizada como rival caso as eleições de 2010 não dêm bons resultados para os democratas.

Genial. Obama estaria também trazendo para seu governo alguém que se mostrou favorável ao Presidente Bush boicotar a abertura dos Jogos Olímpicos de Beijing por violação dos direitos humanos, alguém que apoiou a invasão do Iraque, alguém que acredita mais no porrete do que na diplomacia, alguém que já mostrou que sacrificiaria interesses árabes a favor de Israel.

Obama, ao contrário, declarou que se encontraria com os líderes mundiais mais encrenqueiros, que queria uma mudança de estratégia, e que queria evitar o “tipo errado de experiência“, implicitamente colocando os Clintons no passado e despreparados para o futuro. David Axelrod, estrategista de Obama, chegou a ligar Hillary Clinton à morte de Benazir Bhutto por não se opor a beligerância de Bush.

Apesar de tudo, pode ser um golpe de mestre de Obama, do tipo “quem não arrisca não petisca“.

À esta altura, Hillary certamente já percebeu que a nova estrela do universo político americano não deverá ter seu governo posto em cheque, mesmo com uma derrota em 2010. E mais: morrer como senadora de Nova York não é exatamente o seu sonho.

Outras vantagens: Hillary é cê-dê-efe e inteligente. Entende de micro-crédito, fez campanha e perdeu para conseguir um plano de saúde para todos, mas refez o plano e relançou-o nas primárias. Ela lança idéias, coloca-as em cheque e as relança. Ela é tenaz. Se Obama quer uma mudança de estratégia no Irã, Israel-Palestina, Síria, Cuba, Rússia e noutros desafios, ela é a pessoa certa.

Ao contrário de Bush, que cedeu a política externa para Cheney, Obama pretende ser o seu próprio Secretário de Estado, focado em redesenhar o contrato social global dos Estados Unidos. Será uma revolução, e para isso Hillary Clinton poderá ser a companheira ideal.

Aqui todo o artigo de Steve Clemons.

Vou ficar de Olho.

"Vou ficar de olho".

5 Responses to "Obama não estará fazendo escolhas arriscadas?"

Obama sabe o que quer e nao pensa em enrolar ninguem ! Quer trabalhar pros USA e ter Sucesso com isso ! Que Deus o encha de “Chamas Criativas de Forca e Energia” !! Amem!

Se tem uma coisa que tem caracterizado o que pude observar até agora a trajetória política de Obama é que as coisas acontecem sempre a seu favor, as pedras voltam contra os agressores e o que de errado e certo acontece lhe beneficia. Por exemplo, ontem mesmo, feito uma marionete a serviço do governo americano mais uma vez, tivemos o esperado pronunciamento do “inimigo” a Obama. Quando aparece o vídeo do segundo homem do Al Qaeda chamando Obama de traidor das causas negras e de sua ascendência muçulmana nada mais estaria fazendo do que ajudar Obama com milhões de americanos ignorantes e pouco inteligentes que chegaram a acreditar que Obama fosse um quinta coluna do mundo que imaginam estar em guerra com eles. Se o pretenso terrorista comandante de suicidas fosse pago para fazer algo para ajudar Obama, o discurso não seria melhor do que aquele, convenhamos. Gente séria não está nem aí para o que esses malucos falam, só analisam o fato circunstancialmente, portanto isso só pode ter sido endereçado a quem vota em Sarah Pallin… Se pretender unir as forças do adversário é burro, essa gente está aprovando/ajudando Obama pelos caminhos contrários de sempre, da mesma forma como antes ajudavam Bush a implantar sua farsa do terror, seu passaporte para fazer coisas erradas. Não falta gente que afirme que a Al Qaeda é uma invenção da CIA, mas tem gente também para acreditar em tudo… Eu creio que eles são agentes do Reino Saudita, que nesse momento não está querendo mais aumentar o preço do petróleo ou eliminar alguma república islâmica antagonista de seu absolutismo, estão torcendo que o mundo saia logo dos atuais problemas econômicos para ver como é que fica, o deles está ardendo dentro da economia ocidental também.

Mas, antes que pensemos em um algum improvável dedo invisível do além ajudando Obama, temos que ver que sua estratégia é sempre se colocar do lado da coisa mais certa a fazer, essa é sua blindagem de passeio. Provavelmente convidou Hillary para ser sua vice e esta não aceitou na ocasião, fato que talvez tenhamos comprovação daqui a uns 20 anos em outra auto-biografia de Obama, quem sabe. Agora a chama para ser sua secretária de estado… Sua estratégia é nítida e só não vê quem não quer. Como sua referência maior Lincoln está tentando silenciar toda e qualquer possível oposição a seu governo no mais autêntico estilo “é dando que se recebe”, que para nós brasileiros é sinônimo de clientelismo, aparelhamento e corrupção, mas que na versão Obama pode ser puro acerto de quem quer ter força para poder realizar sua tarefa.

João,
Você toca num ponto que sempre me intrigou com relação ao Brasil.
Não tivemos ainda políticos que consigam ver a beleza do serviço público, que tenham amor à causa pública, que tenham orgulho de ver alguma coisa funcionando direito porque eles lutaram para isso.
Não faço acusações a nenhum políticos em especial, mas a coisa pública no Brasil está sujeita à coisa particular. Sacrifica-se obras e instituições pelo puro capricho de ajudar um amigo a ficar mais rico ainda, e, por tabela, a si.
As instituições políticas brasileiras estão cimentadas nesse atraso, e não vejo a saída. Certamente, há. Nem que seja, para seguir o padrão dominante, por imitação de um governo realmente democrático nos Estados Unidos.
Cesar Barroso

César a explicação do Brasil começa pela antropológica, temos que entender de certos valores de nossa cultura para entender o comportamento dos políticos. Tem a ver com nossas noções de poder, certamente muito mais saborosas e consubstanciais que as dos americanos, por exemplo. Existe muito mais absolutismo no tipo de poder que é concedido ao homem público brasileiro. O proibido no Brasil é cheio de tesão e coloridos fortes, poderes de vida e morte sobre outros que muitas vezes não tem uma precisa noção que são habitantes de um planeta, quanto mais de um país com uma constituição.

Tem a ver igualmente com o processo necessário a alguém rico ou pobre tornar-se um político. Um filtro ao revés onde só passa o que for mais venal ou com estômago mais firme, aquele que se deixa humilhar e depois crava uma punhalada nas costas do inimigo. Alguém que freqüenta reuniões partidárias cercado de uma maioria que está ali atrás de trocar apoio por um futuro emprego público, onde nunca trabalhará e de quebra terá fontes de renda paralelas, vendendo os favores das dificuldade que cria.

Quando surge um bem intencionado, alguém que busca a realização pessoal de concertar algo que ninguém havia consertado antes, para não falarmos de motivações piegas, esse cara é imediatamente detectado por um exército de incapazes que vão fazer de tudo para sabotá-lo. Seria a inveja uma característica marcante dos brasileiros?

Acredito que todos os bons políticos que tivemos passassem mais tempo costurando alianças do que tocando realizações. Que muitos, em determinado momentos, se vissem cercados de ratos por todos os lados e passasse então a preocupar-se somente em sobreviver dentro daquele quadro dado como perdido.

Temos os chantageados… Agora mesmo no poder temos um chantageado, quantos não poderiam abrir a boca e arrasar com sua imagem pública… Vamos lá… toda aquela turma do mensalão, basta qualquer um deles dar o caminho das pedras e entregar o caminho factual pelo qual Lula sabia que parlamentares estavam sendo comprados… Isso pode até ser usado por potências estrangeiras que tenham algum interesse especial no Brasil. Quantos desses governantes todos que tivemos não eram chantageáveis? Itamar que era gay, Fernando Henrique que tinha amantes, Sarney que provavelmente até gente mandou matar em seus tempos de coronel do Maranhão, Collor em relação aos diversos amigos de juventude que consumiram cocaína com ele em diversas orgias… Será que só vai para o poder quem tem o rabo preso? Até que ponto as oligarquias milionárias do Brasil, as FIESPs da vida não comandam quem é escolhido para ser votado e só serve quem pode ser chantageado?

Quem criou isso tudo foi o pai da pátria GV que em sua fúria populista criou um divisor de águas que separou para sempre o brasileiro empreendedor daqueles que já tinham dinheiro, advindo de velhas oligarquias do tempo do império. Só os que já tinham dinheiro teriam condições de pagar os direitos trabalhistas, quem não tinha teria que juntar-se ao estado ou praticar crimes (nunca bem esclarecidos por seus descendentes que sempre acreditaram na honestidade daquele velho safado pioneiro) ou, na melhor das hipóteses, sonegar impostos e subornar fiscais. Claro que o tempo fez criar profissionais liberais que nunca foram desonestos, mas o fosso criado na década de trinta não só permanece como é enorme e muitas exceções não fazem maioria. Com 60% por cento do patrimônio brasileiro nas mãos de 10% da população e o restante pertencendo ao estado inchado de funcionários você só consegue ter uma fazenda fornecedora de matérias primas.

João,
Não consigo ver a intenção de Getúlio Vargas de fechar a via empresarial para aqueles que não poderiam pagar direitos trabalhistas. Empresas bem administradas sobrevivem no Brasil mesmo com aquela floresta de impecilhos.
Muito pior fez Salazar em Portugal. Para se abrir uma serraria, por exemplo, o empresário tinha que ter, no mínimo oito serras elétricas, o que fechava as portas para os pequenos empreendendores, e facilitava a vida dos amigos do governo.
Cesar Barroso

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